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Brasil imita China e pretende financiar importador da Argentina

O programa é uma das medidas em estudo para impulsionar o comércio entre as duas maiores economias da América do Sul

Brasil e Argentina: o financiamento de empresas argentinas seria feito por bancos públicos e privados no Brasil e coberto por garantias concedidas por ambos os governos (Ricardo Stuckert/PR/Flickr)

Brasil e Argentina: o financiamento de empresas argentinas seria feito por bancos públicos e privados no Brasil e coberto por garantias concedidas por ambos os governos (Ricardo Stuckert/PR/Flickr)

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Martha Beck e Daniel Carvalho, da Bloomberg

23 de janeiro de 2023, 14h38

O Brasil pretende financiar importadores da Argentina interessados em comprar seus produtos em uma tentativa de recuperar a participação de mercado perdida para a China, segundo duas pessoas a par do plano.

O programa, previsto para ser anunciado na segunda-feira durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Buenos Aires, é uma das medidas em estudo para impulsionar o comércio entre as duas maiores economias da América do Sul.

O financiamento de empresas argentinas seria feito por bancos públicos e privados no Brasil e coberto por garantias concedidas por ambos os governos, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque a discussão não é pública. Além disso, a Argentina terá de fornecer garantias reais, como contratos de commodities, como seguro para que os empréstimos sejam liberados, disse uma das pessoas.

O Brasil perdeu a posição de principal parceiro comercial da Argentina para a China em 2019, quando a nação asiática implementou um modelo semelhante de financiamento à exportação que está sendo discutido agora pelas nações sul-americanas. Em 2022, o Brasil teve um superávit comercial de US$ 2,2 bilhões com seu vizinho do sul.

O valor do financiamento a ser oferecido pelo Brasil ainda não foi definido, disse uma das pessoas, e dependerá da demanda das empresas argentinas e da capacidade do país de oferecer garantias.

Moeda comum

Outro plano para impulsionar o comércio bilateral é a criação de uma unidade de câmbio comum para evitar o dólar no comércio bilateral — uma ideia que Lula e sua contraparte Alberto Fernández descreveram como uma “moeda comum” e que ambos os países tentaram e falharam em implementar por décadas.

O Brasil não tem intenção de avançar para uma integração monetária total, disse uma das pessoas, acrescentando que a ideia se limitaria ao comércio bilateral.