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Bolsonaro diz que Moro não investigou facada contra ele

Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho; presidente falou de família, Inmetro, taxímetros, piscina aquecida, armas e caso Queiroz

 (EVARISTO SA/AFP)

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Clara Cerioni

Publicado em 24 de abril de 2020 às 17h20.

Última atualização em 24 de abril de 2020 às 19h11.

Poucas horas após o pedido de demissão de Sergio Moro, seu ministro mais popular, Jair Bolsonaro fez um pronunciamento desconexo e com forte tom anti-establishment.

Ele citou, sem ordem aparente, temas como caso Queiroz, o aquecimento das piscinas do Palácio do Planalto, o assassinato de Marielle Franco, condenações por tráfico da drogas na família da primeira-dama Michelle Bolsonaro, taxímetros do Rio de Janeiro e o Inmetro.

No final, leu um comunicado escrito negando acusações de Moro, se disse "decepcionado e surpreso" com seu comportamento e afirmou que "o governo continua".

As acusações de Moro incluem falsidade ideológica e interferência em instituições para benefício pessoal, com margem para serem enquadradas em crime de responsabilidade, passível de impeachment.

Enquanto Bolsonaro falava, foi revelado que o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a abertura de um inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar os possíveis crimes.

O presidente falou cercado de seus ministros e alguns aliados, sem distanciamento social, contrariando as recomendações de saúde diante da pandemia do novo coronavírus que deixou 357 mortes no país só nas últimas 24 horas. Só Paulo Guedes, ministro da Economia, usava máscara.

Sobre a demissão de Mauricio Valeixo, o chefe da Polícia Federal, estopim do pedido de demissão de Moro, o presidente afirmou que "autonomia não é sinal de soberania" e que o presidente tinha "poder de veto".

Apesar de Bolsonaro já ter afirmado publicamente que Moro tinha "carta branca", hoje ele reforçou várias vezes a questão da hierarquia e sua prerrogativa de fazer nomeações: "Se eu posso trocar ministro, por que não posso trocar a Polícia Federal?".

Bolsonaro afirmou que Moro iria achar uma maneira de "botar uma cunha" entre ele e o povo, e também sugeriu que o ministro teria liberado a demissão na PF, mas só após sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) quando uma vaga abrisse em novembro. Moro rebateu a acusação de chantagem pouco depois no Twitter:

"Uma coisa é você admirar uma pessoa, outra é conviver com ela. Trabalhar com ela. Hoje pela manhã, por coincidência tomando café com parlamentares eu lhes disse, hoje vocês conhecerão aquela pessoa que tem compromisso consigo próprio com seu ego e não com o Brasil", disse.

O presidente disse também que Moro não se empenhou em investigar a facada contra ele na campanha eleitoral de 2018. A PF já concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho no atentado. O presidente disse que houve menos empenho nesse caso do que no do assassinato de Marielle Franco, até hoje sem solução.

Bolsonaro insistiu que nunca pediu blindagem para ele nem para sua família, e que o pedido de troca do superintendente do Rio de Janeiro porque ele não teria dado atenção devida no caso do interfone do seu condomínio, quando houve suposição do seu envolvimento com o caso Marielle.

"Precisei implorar para que a PF apurasse a questão da ligação da casa 58. Se eu não tivesse pedido para meu filho ir na portaria e filmar a secretária eletrônica, talvez até hoje ficasse a duvida de que eu poderia estar envolvido nisso", disse.

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