Bahia: estado é conhecido por resolver a eleição no primeiro turno (Carolina Gehlen/Exame)
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Publicado em 4 de outubro de 2026 às 06h30.
A Bahia teve apenas dois segundos turnos nas eleições para governador desde a redemocratização: em 1994, quando Paulo Souto venceu João Durval Carneiro, e em 2022, quando Jerônimo Rodrigues derrotou ACM Neto. Analistas relacionam esse histórico à concentração da política estadual em dois grandes campos, que ao longo das últimas décadas se organizaram em torno do antigo carlismo e, posteriormente, do PT e de seus adversários. Em 2026, Jerônimo e ACM Neto voltam a concentrar a disputa, enquanto João Roma, terceiro colocado em 2022, integra agora a chapa de Neto ao Senado.
A Bahia tem uma particularidade no calendário eleitoral brasileiro: em toda a história da disputa estadual pós-redemocratização, o segundo turno só aconteceu duas vezes. A primeira foi em 1994, no embate entre Paulo Souto (PFL) e o ex-governador João Durval Carneiro (PMN). A segunda foi em 2022, quando Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) se enfrentaram em uma disputa que terminou com a vitória petista.
Em 1994, o primeiro turno terminou com Paulo Souto à frente, com 49,30% dos votos válidos, seguido por João Durval, com 25,29%. Jutahy Magalhães Júnior (PSDB) ficou com 14,13%, e Nilo Coelho, com 8,27%. O segundo turno confirmou a vitória de Paulo Souto, que obteve 58,64% dos votos.
Em 2022, o cenário se repetiu com contornos diferentes. Jerônimo Rodrigues buscava a manutenção de 16 anos de PT no poder, enquanto ACM Neto representava o herdeiro do legado do ex-governador Antônio Carlos Magalhães.
Diferentemente de 1994, a disputa contou com uma terceira via com densidade eleitoral: João Roma (PL), então presidente do partido na Bahia e ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro. O primeiro turno terminou com Jerônimo em 49,45%, ACM Neto em 40,80% e João Roma em 9,08%. No segundo turno, Jerônimo venceu com 52,79%.
O jornalista e analista político Cássio Moreira, com experiência em reportagens históricas sobre a Bahia, atribui a raridade do segundo turno no estado a um fator estrutural: a bipolarização da política baiana desde a redemocratização.
“Eu atribuo essa dificuldade de segundo turno, aqui na Bahia, que só teve em duas ocasiões, a alguns fatores. O primeiro, porque a política baiana, pós-redemocratização, foi polarizada entre um grupo que originalmente era o carlismo, que agora é um pós-carlismo, com novos atores, e um grupo de teor mais progressista, que esteve representado em determinado momento pelo PMDB, com Waldir Pires, depois foi se transformando pouco a pouco com o surgimento de novas lideranças, com o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores”, diz à EXAME.
Segundo Moreira, os dois segundos turnos que ocorreram são exceções explicadas por períodos de reorganização política. “Em 1994, João Durval era um recém-saído do grupo carlista, então ele despontava naquele momento como uma nova liderança de oposição, uma forte liderança de oposição, que já tinha sido governador, já tinha sido prefeito de Feira de Santana, inclusive renunciou essa última passagem dele pela prefeitura de Feira para poder tentar o governo de novo. E Paulo Souto, que era um quadro novo na época. Então isso colaborou em 94.”
O analista vê paralelo com 2022. “Em 2022 é algo parecido também: é o surgimento de duas novas lideranças regionais. Jerônimo, que era um desconhecido para quem não conhece a política de bastidores, a política mais técnica também, já que ele é o quadro mais técnico do partido. E ACM Neto, que era um nome jovem, tinha acabado de sair de uma prefeitura grande, mas é uma prefeitura da capital.”
Para Cássio Moreira, não há razão para acreditar que 2026 será diferente. “Não há histórico de segundo turno aqui na Bahia, como eu acredito que não tenha segundo turno nesta eleição de agora, porque, historicamente, existem dois grupos políticos muito polarizados, e esses dois grupos não têm dissidências, não têm racha”, afirma.
O analista reconhece que os grupos passaram por transformações ao longo do tempo. “Claro, porque o tempo passa e a política exige essas transformações. Mas, historicamente, a política da Bahia é bipolarizada.”
Publicamente, as campanhas de Jerônimo e ACM Neto já declararam que trabalham com a certeza de que a eleição será definida em primeiro turno. Diferentemente de 2022, a disputa não conta com um terceiro candidato com densidade eleitoral para forçar um segundo turno.
João Roma, que em 2022 obteve 9,08% dos votos e ajudou a levar a disputa para o segundo turno, agora integra a chapa de ACM Neto ao Senado. A polarização entre ACM Neto e o PT também cresceu na Bahia, o que reduz o espaço para alternativas fora do eixo principal.
Desde a redemocratização, a eleição para o Governo da Bahia chegou ao segundo turno duas vezes, segundo o histórico apresentado na matéria: em 1994 e em 2022.
Paulo Souto (PFL) e João Durval Carneiro (PMN) disputaram o segundo turno em 1994. Souto havia terminado a primeira votação com 49,30% dos votos válidos, contra 25,29% de João Durval, e venceu a etapa seguinte com 58,64%.
Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) chegaram ao segundo turno em 2022. No primeiro, Jerônimo obteve 49,45% dos votos válidos, contra 40,80% de ACM Neto e 9,08% de João Roma (PL). Jerônimo venceu a segunda votação com 52,79%.
Na avaliação do jornalista e analista político Cássio Moreira, a principal explicação está na bipolarização da política baiana desde a redemocratização. Segundo ele, a disputa estadual historicamente se concentra em dois grandes grupos políticos, o que reduz o espaço eleitoral para uma terceira candidatura capaz de levar a eleição ao segundo turno.
Além da disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, a eleição teve João Roma como um terceiro candidato com participação relevante. Roma recebeu 9,08% dos votos válidos, enquanto Jerônimo terminou o primeiro turno com 49,45%, abaixo da maioria necessária para vencer naquela etapa.
Não, segundo as informações apresentadas na matéria. Depois de disputar o governo em 2022 e receber 9,08% dos votos válidos, João Roma passou a integrar a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado em 2026.
A possibilidade existe pelas regras eleitorais, mas o analista Cássio Moreira avalia que a disputa deve ser definida no primeiro turno devido à concentração entre os dois principais grupos políticos. As campanhas de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto também afirmam trabalhar com a expectativa de definição no primeiro turno. Essas avaliações, porém, não representam uma previsão do resultado da eleição.
Para ser eleito governador no primeiro turno, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Caso nenhum concorrente alcance essa maioria, os dois mais votados avançam para o segundo turno.