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Avião da FAB decola de São Paulo com ajuda humanitária brasileira para a Venezuela após terremoto

Operação da FAB inclui 36 bombeiros, cães de resgate e equipamentos de telecomunicações para apoio humanitário

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 26 de junho de 2026 às 19h07.

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Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou da base aérea de Guarulhos, em São Paulo, na tarde desta sexta-feira, 26, com destino à Venezuela. A missão envolve o envio de equipes de apoio humanitário após o terremoto registrado no país na quarta-feira, 24.

O transporte foi realizado com o uso da aeronave KC-390 Millennium, do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa. O modelo, fabricado pela Embraer, já foi empregado em operações internacionais de assistência humanitária, incluindo missões no Haiti e no Líbano, além de ações de apoio em desastres no Rio Grande do Sul e no transporte de urnas funerárias relacionadas ao acidente aéreo de Vinhedo.

Segundo a FAB, a aeronave transporta 12 toneladas de materiais de apoio, 36 bombeiros e seis cães de busca e resgate vinculados às corporações de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de quatro agentes da Defesa Civil. Os profissionais têm atuação em operações de busca e resgate urbano em áreas afetadas por desastres naturais.

Também participam da operação quatro profissionais da Anatel, com equipamentos de monitoramento de espectro eletromagnético. A tecnologia permite identificar e localizar sinais emitidos por dispositivos de telecomunicações, como celulares, recurso aplicado em ações de resgate em áreas atingidas.

A previsão é de pouso na base militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay, na Venezuela. A mobilização foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.

A operação reúne equipes brasileiras de diferentes órgãos federais e estaduais em uma missão de apoio internacional após o terremoto ocorrido na Venezuela.

Balanço de mortes

O número de mortes provocadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 589, segundo informou nesta sexta-feira, 26, a presidente em exercício Delcy Rodríguez.

O novo balanço mais que dobra a estimativa anterior, de 235 vítimas, e reforça a dimensão da crise humanitária provocada pelos abalos sísmicos no país.

As autoridades venezuelanas atualizaram os dados durante uma reunião com representantes civis e militares transmitida pela televisão estatal, em meio à mobilização internacional de ajuda e à ampliação das operações de resgate.

O aumento no número de mortos ocorre dois dias após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país com intervalo de menos de um minuto. Os eventos são considerados os mais severos da história recente da Venezuela e provocaram destruição em larga escala em áreas urbanas e rurais.

O salto no número de vítimas para 589 mortes indica uma deterioração rápida do quadro humanitário e sugere que as equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para acessar regiões mais afetadas pelos abalos sísmicos.

Até a última atualização anterior, o governo havia informado 188 mortes e mais de 1,5 mil feridos, número que já vinha sendo revisado ao longo das operações de busca e socorro.

EUA flexibilizam sanções em meio à crise

Paralelamente ao avanço da tragédia, os Estados Unidos autorizaram uma flexibilização temporária das sanções contra a Venezuela para permitir operações financeiras e comerciais voltadas exclusivamente à ajuda humanitária.

A medida, válida até 23 de outubro, permite transações relacionadas ao socorro das vítimas e à resposta emergencial, desde que enquadradas nas regras do Regulamento de Sanções contra a Venezuela (VSR), administrado pelo OFAC.

A autorização tem caráter restrito e não altera a estrutura central do regime de sanções, mantendo bloqueios financeiros e comerciais que seguem em vigor contra o governo venezuelano.

O governo americano também anunciou o envio de US$ 100 milhões ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), ampliando o pacote de assistência internacional à população atingida.

Resposta internacional e mobilização regional

Os terremotos, registrados com magnitudes de 7,2 e 7,5 em um intervalo inferior a um minuto, provocaram colapsos estruturais e agravaram a pressão sobre hospitais e serviços de emergência no país.

Os eventos sísmicos são classificados como os mais intensos da história recente da Venezuela, com impacto direto sobre infraestrutura urbana e sistemas de atendimento emergencial.

Diante da gravidade da situação, países da região ampliaram a mobilização de ajuda humanitária. O governo brasileiro confirmou o envio de uma missão de busca e resgate, além de equipamentos médicos, purificadores de água e suporte logístico para instalação de um hospital de campanha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manteve contato com autoridades venezuelanas para coordenar o envio de assistência, em uma operação que envolve equipes da Defesa Civil, bombeiros e técnicos federais.

*Com AFP 

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