Associação pede mais psiquiatras no combate ao crack

Segundo a associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, tratamento de usuários de drogas precisa da participação de especialistas na área mental

Rio de Janeiro - O diretor científico da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), Jorge Jaber, disse que o plano integrado de enfrentamento ao crack, lançado pelo governo federal no ano passado, é altamente positivo porque levará ações para regiões “onde nada está sendo feito”. Para ele, as iniciativas que vêm sendo empreendidas no país, na luta contra as drogas, devem ser comemoradas.

Jaber lembrou, entretanto, que o uso de substâncias químicas caracteriza principalmente doenças da área mental, isto é, doenças psiquiátricas. “E nós não estamos vendo o Ministério da Saúde se posicionar utilizando esse conhecimento da área de psiquiatria. Essa ausência vai fazer falta mais adiante", avaliou.

A Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro lançou nessa terça-feira o programa Mulheres da Paz, para a formação de 1.250 líderes comunitárias que vão trabalhar com 2.500 jovens em situação de risco, como a dependência química. O Mulheres da Paz é uma ação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Especialista em dependência química, o médico avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que grande parte das ações do plano é voltada para as fazendas, segmento que utiliza um método de tratamento mais longo, “porém positivo”.

A política nacional antidrogas prevê planos de repressão ao tráfico, a cargo da Polícia Federal e das polícias estaduais, e um plano de prevenção, a cargo do Ministério da Saúde e de agências de saúde. “Em relação à área de saúde, haverá uma melhora significativa”. disse.

Convidado no ano passado pelo secretário de Assistência Social do município do Rio, Rodrigo Bethlem, a ajudar no tratamento das crianças e adolescentes vítimas do crack nas ruas da cidade, Jorge Jaber promove há nove anos o desfile da Banda Alegria sem Ressaca, no domingo anterior ao do carnaval. O objetivo é prevenir os foliões em relação aos abusos de substâncias químicas nos dias da festa popular. A iniciativa é da Abrad.


“É uma atitude voltada para a saúde pública. Faz parte do referencial médico e psicológico dos sócios e da associação divulgar mensagens que levem à redução do uso de substâncias químicas. E, em relação ao álcool, à diminuição de situações de risco, como a direção de veículos”.

Jaber informou que, até o momento, não há um plano em ação que dê atenção de saúde a pessoas que tenham problemas com drogas. “Sejam aquelas drogas chamadas mais pesadas, como é o crack, como aquelas que são chamadas erroneamente de pouco ofensivas, como é o caso da maconha”. A maconha também ajuda a desenvolver doença mental, assegurou.

Segundo o especialista, por isso é importante que não haja a liberação da maconha enquanto não for criado um sistema capaz de dar conta do aumento do consumo. “A banda tem esse objetivo. Ela distribui, ao passar na orla, folhetos orientando familiares de dependentes químicos a procurar ajuda em endereços de atendimento gratuito”.

Amanhã (2), a Abrad fará a distribuição das camisetas do bloco, durante um grito de carnaval. O desfile está programado para o dia 12 próximo, na Avenida Atlântica, em Copacabana, zona sul do Rio, sob o comando de jovens que fizeram o curso gratuito de conselheiro em dependência química. O curso é promovido por Jorge Jaber na Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, onde é oferecido tratamento gratuito, para quem quer se livrar do vício do álcool e das drogas.

A Banda Alegria sem Ressaca tem como madrinha a atriz Luiza Tomé, que abraça a causa pelo terceiro ano consecutivo.

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