As polêmicas que marcaram a trajetória de Ricardo Teixeira

Ex-dirigente pede afastamento do órgão por motivos de saúde, e indicou o vice-presidente da entidade, José Maria Marin, como seu substituto

São Paulo – Ricardo Teixeira pediu licença da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde de hoje, alegando motivos de saúde. O cartola indicou o vice-presidente da entidade, José Maria Marin, como seu substituto.

Teixeira, o 18º presidente da CBF, assumiu o cargo em 1989. Ele foi o presidente que mais tempo ficou à frente da instituição em toda sua história. Seu quinto mandato consecutivo deveria ter chegado ao fim em 2007, mas foi prorrogado até a realização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

O dirigente do futebol brasileiro se afasta do cargo após décadas driblando uma série de acusações e investigações sobre seu envolvimento em escândalos de corrupção – algumas delas bastante recentes. Sua imagem, há tempos já estava bastante desgastada na CBF, na FIFA, e principalmente frente à opinião pública.

Lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, cobrança de propina e desvio de verba pública são algumas das razões pelas quais ele foi investigado pelo Ministério Público, a Polícia Federal, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Relembre algumas denúncias envolvendo o nome do ex-líder da CBF.

CPI

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito aberta em 2011 para investigar casos de corrupção no futebol apontou irregularidades em negócios envolvendo Ricardo Teixeira e a Nike, marca de material esportivo patrocinadora oficial da Seleção Brasileira. A CPI entregou ao Ministério Público Federal 13 denúncias contra Teixeira, incluindo lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Todas elas foram descartadas. À época, a Nike afirmou que seu contrato com a CBF era totalmente legal.

BBC

O programa Panorama, da rede de televisão britânica BBC, levou ao ar uma série de denúncias contra Ricardo Teixeira, João Havelange (ex-presidente da FIFA), a CBF e a FIFA em maio de 2011. Dentre elas, a de que Teixeira e Havelange teriam recebido propina e negociado a devolução do dinheiro para encerrar as investigações. 


Ainda de acordo com o programa, Ricardo Teixeira pediu dinheiro a David Triesman, responsável pela candidatura da Inglaterra para sediar a Copa em 2018, para dar seu voto aos britânicos. A FIFA inocentou o presidente da CBF das acusações.

Piauí

Ricardo Teixeira deu uma entrevista polêmica à revista Piauí em julho do ano passado. Nela, usou ironia e até palavras de baixo calão para dizer que não ligava para as denúncias de corrupção da BBC. Ele afirmou ainda que iria deliberadamente boicotar durante a Copa de 2014 os veículos de imprensa que o acusaram, negando credenciais, acessos e direitos de cobertura. 

Amistoso

Denúncias feitas pelo jornal Folha de S. Paulo ligam Ricardo Teixeira a outro esquema ilegal de desvio de dinheiro. Segundo as reportagens, o presidente da CBF teria recebido cheques mensais de 10 mil reais pagos pela empresa Alianto Marketing, empresa investigada pela Justiça Federal por um suposto desvio de 8,5 milhões de reais em dinheiro público na organização de um amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008. 

De acordo com a reportagem, o dirigente teria firmado um contrato de arrendamento de terras com a empresa quatro meses após a organização do evento, no valor total de 600 mil reais – já que os pagamentos mensais de 10 mil reais seriam válidos por cinco anos. Os cheques teriam sido encontrados durante uma operação de busca e apreensão no apartamento de Vanessa Precht, sócia da Ailanto.

Família

Nem a filha de Ricardo Teixeira, Antônia, de 11 anos, escapou das denúncias envolvendo o pai. Segundo o jornalista Juca Kfouri reportou em seu blog, a adolescente recebeu um depósito no valor de 3,8 milhões de reais em sua conta, em junho do ano passado. O dinheiro foi pago por Sandro Rosell, sócio da Alianto Marketing, empresa envolvida no escândalo do amistoso entre Brasil e Portugal. 

O tio também

Outra confusão envolvendo a família do mandatário do futebol foi reportada pela Folha na semana passada. O jornal publicou uma reportagem que alega que Marco Antonio Teixeira, tio de Ricardo, recebia um salário de 1 milhão de reais ao ano da CBF, apesar de exercer função meramente “decorativa” na instituição há cinco anos. Funcionário do órgão desde 1989, Marco Antonio foi demitido no início deste mês e a Folha teve acesso à sua rescisão.

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