Repórter
Publicado em 10 de julho de 2026 às 22h24.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou, nesta sexta-feira, propostas voltadas para mulheres durante um evento do PL, em Fortaleza. Entre as medidas anunciadas estão a criação de vouchers para custear vagas em creches particulares quando não houver disponibilidade na rede pública e a ampliação do acesso ao microcrédito para mulheres que desejam abrir pequenos negócios.
A visita marcou a primeira agenda de Flávio no Ceará desde a crise interna que resultou no rompimento político com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e em sua saída da presidência nacional do PL Mulher. Apesar do contexto, o senador evitou citar o episódio durante toda a cerimônia.
No discurso, Flávio também voltou a defender mudanças na legislação penal para crimes sexuais. Segundo ele, adolescentes a partir de 14 anos acusados de estupro deveriam responder como adultos. O senador ainda associou a pauta da segurança pública à campanha presidencial.
"Nós vamos dar vouchers para as mulheres deixarem os filhos em creche privada se não tiver vaga em creche pública. Vamos dar microcrédito para todas que querem abrir um negócio, um pequeno comércio, um salão de beleza", afirmou.
Embora Flávio tenha deixado de mencionar o conflito com Michelle Bolsonaro, o assunto voltou à tona de forma indireta durante o evento. O deputado federal André Fernandes (PL-CE), aliado do senador e personagem da disputa que levou ao rompimento entre os dois grupos, fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro utilizando o apelido "galego", expressão frequentemente usada por Michelle para se dirigir ao marido.
"Que saudade eu tenho do nosso presidente. É o nosso galego, não é individual de ninguém, não. É nosso".
A programação começou com a entrada de Flávio ao som do funk "01". Vestindo uma camiseta com a frase "Menos imposto, mais comida na mesa", o senador cumprimentou apoiadores, posou para fotografias e repetiu um gesto característico de suas agendas de campanha antes de subir ao palco. Na sequência, candidatos do partido no Ceará foram apresentados. Quando seu nome foi anunciado como pré-candidato à Presidência, imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro apareceram no telão, acompanhadas de aplausos do público.
Durante o pronunciamento, Flávio também mencionou o pai, preso desde o ano passado, e afirmou esperar seu retorno à atividade política.
"Ele (Jair Bolsonaro) não vai poder assistir ao que estamos dizendo aqui hoje, mas um dia vai assistir. Vamos chamar ele de volta? Volta, Bolsonaro! Ele vai voltar e vai voltar mais forte ainda. Eu e vocês vamos enterrar o PT".
Em outro trecho do discurso, o senador voltou a defender a iniciativa de buscar apoio nos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Na mesma fala, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
" Me dá uma tristeza saber que o Ceará está entregue aos narcoterroristas. É por isso que eu fui aos Estados Unidos pedir que fossem classificados como terroristas. O PT foi para lá pedir que eles não fossem classificados".
Flávio também manifestou apoio ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que teve bens bloqueados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador acusou o governo federal de utilizar órgãos de investigação contra adversários políticos.
"Onde está o Lulinha hoje? Ninguém sabe, ninguém viu. Aí vem o governo e muda o delegado da Polícia Federal que estava investigando. Mas, para perseguir a oposição, tem Polícia Federal. Persegue parlamentar, presidente de partido de direita e tenta, a todo momento, interferir nas eleições".
A agenda também oficializou a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) ao Senado e marcou o retorno de Flávio ao Ceará após a disputa interna envolvendo a definição do palanque eleitoral no estado.
Michelle Bolsonaro defendia que a então vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, disputasse a vaga ao Senado pelo partido. A decisão de Flávio de apoiar a composição com o grupo do deputado federal André Fernandes e abrir espaço para uma aliança com o PSDB de Ciro Gomes contrariou essa estratégia.
Havia expectativa de que Priscila Costa fosse apresentada durante o evento como pré-candidata à Câmara dos Deputados. No entanto, seu nome não apareceu ao lado dos demais integrantes da nominata.
A divergência ganhou repercussão nacional após Michelle divulgar um vídeo de quase 30 minutos. Na gravação, ela acusou Flávio Bolsonaro de desrespeitá-la durante as negociações e afirmou que o grupo de André Fernandes atuava para retirar Priscila Costa da disputa. Dias depois, Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher, ampliando o distanciamento político entre os dois.