Brasil

Análise: Flávio demonstra segurança em sabatina na TV Globo e mostra que campanha só começou

Senador mantém competitividade nas pesquisas eleitorais e conseguiu demonstrar organização e confiança durante entrevista

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência (Geraldo Magela/Agência Senado)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência (Geraldo Magela/Agência Senado)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 23h36.

Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 23h39.

Priorizar nos meus resultados Google

A preparação de Flávio Bolsonaro para a sabatina da TV Globo parece ter surtido efeito -- ao menos no campo da simbologia eleitoral. Entre um deslize e outro de comportamento nas perguntas da dupla Cesar Tralli e Renata Vasconcellos, o senador do PL conseguiu de maneira geral demonstrar segurança, organização e, em certos momentos, até conforto numa posição que foi até aqui espinhosa para todos os candidatos.

Após um início de pré-campanha tumultado, com trocas de marqueteiros, manchetes negativas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e uma primeira semana de campanha oficial com eventos esvaziados, a sabatina da TV Globo pode marcar um momento de maior estabilidade para a campanha do 01.

Os fatos o auxiliam: sua competitividade na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mantém na maior parte das pesquisas. E o petista se vê agora às voltas com um escândalo que envolve seu filho, o Lulinha. Em outras palavras, Flávio ganhou argumentos não para responder, mas para devolver a bola para o campo do adversário.

Análise: Caso Lulinha força Lula à defensiva e limita tentativa de pautar campanha

Foi esta a estratégia adotada por sua equipe nas respostas da sabatina desta sexta-feira. Tralli e Vasconcellos iniciaram questionando o candidato sobre o pedido de recursos a Vorcaro. Flávio alegou que estava tudo explicado e citou, repetidamente, veículos do Grupo Globo, seja por anúncios recebidos do Master seja matérias, forçando os entrevistadores a lerem notas oficiais preparadas pela equipe jurídica da emissora. Com isso, ganhou tempo e desarmou parte da pressão.

O mérito e o conteúdo de suas respostas são menos importantes para a estratégia de campanha do que a mensagem simbólica enviada neste momento. Na prática, Flávio tergivesou sobre o caso Dark Horse e não mostrou o contrato detalhado que havia prometido. Mas não se exasperou com os questionamentos.

O senador Flávio Bolsonaro, durante encontro com o presidente Donald Trump, em Washington (Reprodução)

Ajuste fiscal, tarifaço e a retórica

O senador também passou ao largo de uma das maiores expectativas dos agentes econômicos sobre sua agenda: o ajuste fiscal.

Economistas, inclusive os de sua equipe, apontam que uma parte significativa do ajuste necessário virá de travar o crescimento real do reajuste do salário mínino, e sua vinculação com as aposentadorias e benefícios sociais.

Pressionado, porém, o senador citou uma reforma do Estado e corte de ministérios, medidas insuficientes para sanar a trajetória atual da dívida pública. E fez uma declaração que parece calculada: "não farei economia com salário mínimo". Embora dê a entender que não haverá mudanças, não cravou que não mudará as regras atuais.

Ele também tentou aliviar a atuação de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nas articulações para que o governo de Donald Trump sobretaxasse produtos brasileiros -- um tema extremamente sensível para a campanha.

Optou pela saída de dizer que a culpa, na verdade, é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o irmão seria incapaz de de manipular o presidente dos Estados Unidos. Também defendeu sua posição recente, enviada em carta ao governo norte-americano, de adiar o início das tarifas contra o Brasil -- e não de suspendê-las de imediato e evitar perdas aos setores econômicos nacionais.

Flávio também deu respostas pouco conectadas quando questionado sobre o aquecimento global, seu apoio ao policial Adriano da Nóbrega quando deputado estadual no Rio de Janeiro e a articulação política com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, preso pela Polícia Federal.

Toda essa retórica é altamente disputável -- e será objeto de muitas propagandas na campanha, assim como acontecerá com Lula. Mas novamente o senador ganhou espaço para demonstrar calma e organização nas respostas.

Ao fim, uma boa notícia foi a declaração de Flávio de que confia no sistema eleitoral e que não o questionará. É uma questão a menos em uma disputa que caminha para a polarização. Faltam menos de 30 dias para o primeiro turno. Apertemos os cintos.

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026

Mais de Brasil

Fim da escala 6x1: entenda como ficou a proposta após aprovação no Senado

Fim da escala 6x1 aprovada no Senado: o que acontece agora e quando começa

Veja como votou cada senador sobre a PEC do fim da escala 6x1

Senado aprova fim da escala 6x1