Pará: Cobrança de Lula movimenta últimos dias de campanha no Pará (Ricardo Stuckert./Flickr)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 06h00.
Belém, do Pará — A cobrança pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que aliados definam uma candidatura ao Senado no Pará pode provocar mudanças na reta final da eleição. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (28), durante comício em Belém, quando Lula dividiu o palanque com Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT), os três integrantes da base governista que disputam as duas vagas disponíveis no estado.
Ao pedir que PT e MDB discutam quais candidaturas têm melhores condições de vencer, Lula colocou no centro da campanha uma questão que já vinha sendo apontada pelas pesquisas: a divisão dos votos entre candidatos aliados pode influenciar diretamente a disputa pela segunda cadeira do Senado.
“Sabino, você sabe que eu quero que você seja candidato ao Senado. O Chicão, por todo direito, também quer ser candidato. O Chicão tem apoio do companheiro Helder, então tem o meu apoio”, afirmou o presidente durante o comício na capital paraense.
Na pesquisa Quaest divulgada no sábado, 26, Helder lidera com 25% das intenções de voto. Delegado Éder Mauro (PL) e Chicão aparecem com 15% cada, enquanto Zequinha Marinho (Podemos) tem 10% e Celso Sabino, 5%. O levantamento considera as duas escolhas que cada eleitor poderá fazer para o Senado.
O resultado coloca Chicão e Éder Mauro no mesmo patamar numérico na disputa pela segunda vaga, dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Sabino aparece abaixo dos dois, mas a pesquisa também mostra que 16% dos entrevistados ainda estão indecisos.
Para o cientista político Rodolfo Marques, a manifestação de Lula expõe uma dificuldade criada pela própria amplitude da aliança construída pelo presidente no Pará. Ao colocar no mesmo palanque candidatos que disputam as mesmas vagas, Lula tornou pública a necessidade de conciliar interesses partidários que hoje estão divididos.
Na avaliação do especialista, o objetivo do presidente é transformar o apoio de diferentes partidos da base em uma estratégia eleitoral mais coordenada. A preocupação está principalmente na segunda vaga, já que a pulverização dos votos entre candidatos aliados pode abrir espaço para um nome de oposição.
“Lula pretende transformar o apoio de sua base política em uma estratégia eleitoral mais coordenada”, avalia Marques.
O cientista político afirma que as pesquisas mais recentes podem entrar nessa discussão, embora ressalte que levantamentos para o Senado não sejam suficientes, isoladamente, para determinar o resultado da eleição.
A preocupação de Lula com a divisão da base também está relacionada à composição do Senado a partir de 2027. Durante o comício, o presidente afirmou que não gostaria de ver um candidato de oposição ligado ao bolsonarismo ocupar uma das cadeiras em disputa no estado.
A declaração também aumenta a pressão sobre os três candidatos da base que permanecem na disputa. Helder apoia publicamente Chicão, que integra a chapa majoritária formada em torno da candidatura de Hana Ghassan (MDB) ao governo do estado. Lula, por outro lado, mantém apoio declarado a Celso Sabino.
Em declaração à EXAME, Sabino confirmou que continuará candidato e disse que recebeu a fala do presidente Lula com muita serenidade e, sobretudo, como uma reafirmação pública. “Não interpreto a fala do presidente como um pedido para que eu desista ou para que eu entre em uma disputa interna com qualquer outro candidato”, afirmou.
Sabino também disse que a declaração de Lula teve repercussão entre os grupos que discutiam sua candidatura e que, segundo ele, forças que faziam oposição ao seu nome estariam perdendo espaço.
“Depois dessa manifestação pública e inequívoca do presidente, o que tenho recebido é que eventuais e pontuais forças de oposição à minha candidatura naturalmente estão se desfazendo”, declarou.
O candidato afirmou ainda que não pretende transformar a situação em um conflito dentro da base: “Tenho respeito por todos os candidatos que estão no campo democrático e, especialmente, por aqueles que também apoiam o presidente Lula. Mas minha candidatura tem vida própria, tem uma história e conta com o apoio explícito do presidente da República. Não vejo razão para transformar isso em um conflito.”
A assessoria de Chicão foi procurada para comentar a declaração do presidente, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.