Como ter uma ideia de negócio?

Para Tallis Gomes, você pode ter bons resultados, com ideias que já existem ou com pequenas adaptações a negócios existentes

*Por Tallis Gomes, CEO da Singu e cofundador e mentor do Gestão 4.0 -- Empreender é uma atividade que manifesta um forte estado de liberdade, por permitir muitas escolhas durante toda a jornada do empreendedor. Porém, tal liberdade é uma faca de dois gumes, que é muito gratificante por um lado, mas em determinados momentos, pode paralisar algumas pessoas, representando uma trava na tomada de decisões.

Não à toa, uma das dúvidas mais comuns que recebo, nas conversas que tenho com quem está pensando em ter o próprio negócio, é a seguinte: “Quero empreender, mas não sei por onde começar”. Uma dúvida muito comum de quem deseja ter a própria empresa e acredita que deve ter the next big idea para dar certo e a verdade é a seguinte: você pode ter bons resultados, com ideias que já existem ou com pequenas adaptações a negócios existentes. 

Não é preciso ter um baita insight para ir em frente e começar um negócio de impacto e, caso você esteja neste contexto, o caminho pode ser muito mais simples do que você imagina. O primeiro passo, é mudar a sua perspectiva e deixar de focar em ter uma ideia e passar a focar em qual dor você quer resolver. Algo que te incomoda ou incomoda alguém próximo a você, que você adoraria solucionar e acredita que as pessoas pagariam por isso. 

Coloque as ideias no papel, sem medo de ser julgado. Pode ser uma venda de comidas orgânicas porque você mora no interior e não há opções na sua cidade para este tipo de consumo, um delivery de comida vegana porque a sua namorada é adepta, e a única opção existente é um restaurante cuja comida não tem sabor ou um serviço que já exista, mas que você acha que poderia ser diferente. Essa forma de pensar, serve para todos os tipos de negócio, seja em serviços, no varejo ou na criação de softwares o foco deve sempre estar em solucionar uma dor. 

Aqui, quero compartilhar com você a minha experiência com a Easy Taxi. Era uma quinta-feira chuvosa, véspera de feriado. Eu queria voltar para casa, então, fiz o que todas as pessoas no Brasil faziam em 2011 quando queriam um táxi e estava chovendo: liguei para uma cooperativa. Ouvi o mesmo discurso de sempre: “De 5 a 10 minutos o seu táxi estará na porta, senhor”. Depois de 10 minutos, liguei novamente e falaram que devido à chuva, estavam sem previsão de chegada. Passou-se quase uma hora e nada de o táxi chegar. Decidi ir para a rua procurar algum táxi, mesmo debaixo de chuva. E veio a ideia: e se eu criasse um aplicativo para encontrar e chamar o táxi? Iria facilitar a vida de muitos consumidores e ninguém mais precisaria andar na chuva à caça de um carro, tampouco contar com a boa vontade de uma cooperativa. Assim, nasceu a ideia da Easy Taxi, a partir de uma dor pessoal.

Outro exemplo prático é o do David Vélez, fundador do Nubank. O empreendedor Colombiano morava em São Paulo e precisou abrir uma conta em um banco. Porta giratória, seguranças armados, filas gigantescas, além de muita burocracia fez com que ele se sentisse incomodado e identificasse ali um grande problema de atendimento. Assim, em 2013, Vélez, juntamente com Edward Wible e Cristina Junqueira fundaram o Nubank, startup brasileira pioneira no segmento de serviços financeiros com foco em oferecer a melhor experiência para seus clientes. Logo, é mais um caso entre tantos outros de uma frustração que se transformou em um grande negócio, neste caso em específico, em uma empresa avaliada em bilhões de dólares.

Os exemplos acima mostram que focar em uma dor e buscar a solução para solucioná-la são um bom caminho para a idealização do negócio, mas na prática, esse é só um pequeno passo da jornada. Depois de ter uma ideia, difunda-a. Não se acanhe em compartilhá-la com outras pessoas, pois o que fará o negócio realmente ter sucesso será a execução. Não tenha medo de compartilhar um insight porque acredita que alguém possa roubá-lo de você. Quanto mais falar sobre o que deseja construir, mais feedbacks vai receber, e aqui pode estar uma ótima oportunidade de amadurecer o modelo original. Vejo pessoas extremamente apegadas às próprias ideias, mas que não conseguem lidar com as críticas e sempre levam os feedbacks para o lado pessoal. Muitas vezes, é claro, você vai ter que ir contra todo mundo que diz que a coisa não vai virar, como aconteceu com a Easy Taxi, mas o ponto é esse, externalize os seus pensamentos ao mundo, filtre os retornos e use os feedbacks construtivos para melhorar o conceito original.

A etapa seguinte é entender o mercado em que você quer atuar e ir atrás de informações. Sendo assim, uma pergunta importante a se fazer é “Qual o tamanho do mercado para essa dor que eu quero solucionar?”. Assim, você poderá ter uma perspectiva do quanto o negócio é viável ($$) dimensionar o tamanho de mercado. Deixo como dica o site Statista (statista.com), que me ajuda bastante com estatísticas, gráficos e tendências e análises de diversos mercados. 

Eu já cometi o erro de não dimensionar o mercado em que queria atuar quando fundei uma de minhas primeiras empresas, a E-Spartan, uma companhia de gamificações em mídias sociais, cujo objetivo era gerenciar promoções online. Inexperiente, acreditei apenas no meu feeling, que me dizia que aquele nicho ia estourar em pouco tempo e não fiz uma pesquisa prévia para analisar se a minha expectativa condizia com a realidade do setor. Não deu certo e quebramos, simplesmente porque não havia mercado suficiente para o produto. E depois do meu fracasso me tornei um obcecado por dados, tabelas, estatísticas, gráficos, relatórios. O Statista oferece vários dados de forma gratuita, assim como pesquisas no Google irão te ajudar. 

O aprendizado é que uma decisão embasada em números é crucial para os negócios. Por isso, se já tomou a sua decisão de empreender converse com stakeholders e clientes em potencial para entender se a dor que você quer resolver é realmente a dor que eles têm e faça pesquisas de mercado. Basear-se somente em feeling definitivamente é uma decisão com falta de fundamentos. Para captar mais feedbacks do mercado, você pode utilizar o olho no olho com uma boa conversa, ou complementar com pesquisas online através de sites gratuitos, como o “Survey Monkey”, por exemplo. Assim, você irá ampliar o seu leque de diálogo e, com isso, amadurecer o seu modelo de negócio, chegando a uma decisão de negócio de melhor qualidade.

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