Por que precisamos falar de saúde mental no trabalho

Dentro de uma organização, pessoas são o bem mais valioso e menos compreendido

Uma pesquisa da Robert Half mostrou que 38% dos 387 profissionais empregados brasileiros entrevistados para a 13ª edição do ICRH acreditam que durante esse período de pandemia sentiu pioras em sua saúde mental e seu bem-estar. Felizmente, entre todos, 58% têm buscado ajuda em meditação, yoga, atividades físicas em casa ou terapia on-line. Mas, como será que estão os outros 42%? Quantos seguem sem apoio dentro da sua organização? Resolvi levantar esse tema porque, além da importância natural que ele tem, amanhã (10) é o Dia Internacional da Saúde Mental, instituído pela Federação Mundial de Saúde.

É importante destacar que, pela definição da OMS, “saúde é um estado de completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença”. Dessa forma, sigo acreditando que os protocolos sugeridos pelos órgãos de saúde para controlar o avanço da pandemia são muito importantes. Mas penso que precisamos de uma visão mais profunda sobre o assunto, tanto por parte da empresa quanto dos profissionais que nela atuam.

Eu, assim como 43% dos 387 líderes entrevistados pela Robert Half para o 13º ICRH, me preocupo com os impactos que o prolongamento da pandemia está causando na saúde mental dos profissionais. Não digo apenas pela questão de estarmos trabalhando mais sob pressão por resultados, afinal essa é uma condição que pode acontecer com ou sem Covid-19. Refiro-me a todo o estresse do entorno que potencializa essa sensação de pressão.

Por tudo isso compartilho algumas sugestões para que os líderes e profissionais de RH auxiliem suas equipes a minimizar o estresse no dia a dia:

1. Ofereça benefícios

De acordo com a pesquisa sobre Benefícios no Pós-pandemia, o principal deles é o plano de saúde. Porém, é muito importante também quando a empresa consegue disponibilizar um canal para aconselhamentos com psicólogos, psiquiatras, advogados, entre outros profissionais. Nesses casos, a ideia não é um acompanhamento longo, mas um recurso para que a pessoa tenha acesso a uma primeira orientação imediata e pontual. Pense ainda em oferecer descontos em atividades como yoga, mindfulness ou outra que contribua para o equilíbrio das emoções e do pensamento.

2. Incentive atividades físicas

Aumentou muito o número de educadores físicos dispostos a auxiliar os colaboradores das empresas com aulas on-line. Algumas organizações já adotaram o serviço e reservam espaço na agenda do profissional para a realização dos exercícios com alguma frequência. Pode ser após o expediente ou em algum outro horário que seja confortável para o grupo.

3. Integre os colaboradores

Se sua equipe está em home office, cuide para que as pessoas não percam o contato. Sempre que possível, agende as reuniões com recurso de vídeo, interaja com os participantes e incentive o agendamento de um “happy hour” virtual apenas para bate-papos mais descontraídos.

4. Mantenha atenção aos feedbacks

Nem sempre a baixa produtividade de um profissional está relacionada à falta de habilidade técnica, principalmente no atual momento. Às vezes, a questão está associada a um problema pontual que ele esteja vivendo, estresse, estafa ou depressão. O gestor direto e a equipe de RH devem se manter por perto tanto para entender o momento de vida da pessoa quanto para fazer ajustes no resultado dos trabalhos ou reconhecer uma ação bem executada.

5. Alivie sobrecargas

Pode acontecer, também, de o profissional estar estressado pela sobrecarga de trabalho. Nesses casos, é fundamental que o gestor direto tome conhecimento da real situação do colaborador para verificar se há necessidade de ajustes na priorização das tarefas, existe espaço para a redistribuição das demandas ou o melhor é aumentar a equipe. Em caso de demanda excessiva pontual, recomendação mais estratégica é contratar um profissional temporário – eles existem em diversos cargos, inclusive de analistas a diretores.

Dentro de uma organização, as pessoas – incluindo todas as faixas da pirâmide organizacional – são o bem mais valioso, porém o mais complexo e menos compreendido. Por isso, é preciso sempre buscar formas de reter esses profissionais antes que eles encontrem a valorização e o acolhimento na organização concorrente. 

Aqui neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half.

*por Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half

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