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Precisamos abandonar os novos hábitos no retorno ao presencial?

Você ainda se lembra da rotina de trabalho antes da pandemia? Na hora de voltar, diversos novos hábitos vão influenciar a cultura das empresas

Um dia desses me peguei olhando para alguns pares de sapato e pensando: como é que eu vou voltar a usar isso? Não se tratava de uma mudança de estilo, uma vontade de renovar o visual, uma troca de tendências. Estava, na verdade, encarando os saltos e tentando lembrar como era andar o dia todo com eles.

Depois de uma longa temporada em casa com opções mais confortáveis, o estranhamento diante dos "modelos pré-pandemia" é natural. O que me fez refletir sobre quais outros hábitos foram adquiridos nos últimos tempos e que, talvez, sejam difíceis de abandonar agora.

Uma pesquisa da Fiocruz, por exemplo, mostrou que mais da metade da população brasileira adotou práticas como meditação, yoga e aromaterapia. Ter mais cuidado com o corpo e praticar atividades físicas foram outros hábitos que ganharam importância, segundo o estudo “Ideia de Futuro: O Brasil Pós-Pandemia Pode Ser Melhor?”. Nele também aparecem conviver mais com a família, cozinhar as próprias refeições e planejar melhor as finanças.

Nesta lista de novos hábitos adquiridos nos dois últimos anos, entram ainda aqueles relacionados à vestimenta. De acordo com um estudo recente do Google, as buscas por conforto cresceram seis vezes mais do que por tendência, o que significou um aumento de 91,4% na busca por moletom, de 44,3% por camisetas e 43,7% por leggings. Seria um sinal de que, no futuro, todo dia será um casual friday?

Pode ser que sim, pode ser que não. Na verdade, quando o assunto é ambiente de trabalho e gestão de pessoas, a resposta normalmente costuma ser “depende”. Depende da cultura da sua organização, depende da área de atuação, depende da região do país e de seus códigos socioculturais, e por aí vai.

Mas o que quis trazer com essa pergunta e os dados anteriores sobre a aquisição de novos hábitos é uma reflexão sobre o quanto o comportamento, gostos e rotinas das pessoas mudaram nesse período e o quanto as empresas deveriam se adaptar a isso. Ou, pelo menos, pensar no assunto.

Não que eu esteja sugerindo que a cultura e os valores organizacionais sejam ignorados ou descartados. A proposta, na verdade, é de investir algum tempo para considerar o seguinte:
levamos em conta todas essas questões na hora de mudar a estratégia do nosso negócio, desenvolver outros produtos e soluções, adaptar a jornada do cliente de acordo com os novos hábitos de consumo; mas o quanto aplicamos a mesma lógica aos colaboradores? Você já parou para pensar se seria interessante e possível fazer algumas adaptações para que seus funcionários conseguissem manter alguns dos bons costumes adquiridos nos últimos tempos?

E essa reflexão, veja bem, pode trazer benefícios para os dois lados. Afinal, será que não seria positivo para o clima da sua empresa incorporar práticas de meditação e outras voltadas para o cuidado com a mente e o corpo?

Será que tanto a organização quanto os funcionários não iriam se beneficiar de um modelo de trabalho híbrido, que permite as pessoas continuarem um pouco mais próximas de seus familiares, ao mesmo tempo que mantêm boa produtividade? Será que não é melhor continuar incentivando que os profissionais cuidem de sua alimentação e das suas finanças?

Todas essas perguntas não servem para mostrar que, olha só, a pandemia teve seu lado positivo e ajudou diversas pessoas a desenvolverem bons hábitos. Não se trata disso, mas de entender que os seres humanos são flexíveis e, ao longo da história, foram se adaptando aos diferentes contextos.

A partir dessa competência que alguns especialistas chamam de antifragilidade, somos capazes de nos transformar para, assim, seguirmos em frente.

Nos desconstruímos e reconstruímos, só que, ao longo desse processo, carregamos aprendizados que podem continuar servindo neste futuro para o qual caminhamos. Por que, então, descartá-los?

Bons hábitos, seja na intimidade da sua casa, seja na coletividade das empresas, podem ser preservados, cultivados e compartilhados. Por que não considerar incluir alguns na nova realidade de trabalho que, juntos, estamos reconstruindo?

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