Teorias conspiratórias têm limite

Eleitor é volátil, mas não é bobo – quanto mais loucas as alegações, menos alcance elas têm entre os não-convertidos

Há alguns dias, a emissora One American News (OAN) exibiu uma curta entrevista com Allan dos Santos, do site Terça Livre, sobre a suposta fraude eleitoral no Brasil. Santos explicou, em quatro minutos, uma complexa rede de influência envolvendo uma empresa de software e George Soros. Não entendi. Mas Donald Trump compartilhou a entrevista em seu Twitter. E a rede social avisou aos usuários que a “informação” dada no vídeo é controversa.

A novidade das eleições de 2020 em comparação às de 2016 e 2018 é que notícias mentirosas encontram terreno menos fértil para se propagarem. Trump, Bolsonaro e Santos são hoje personagens com menos credibilidade do que meses atrás. Há dois anos, Bolsonaro afirmou ter sido vítima de fraude em uma eleição que venceu. Agora alega o mesmo sem ter participado do pleito – nem indiretamente.

Não podemos esquecer a deputada federal Carla Zambelli (PSL) nessa história. Eleita após anos de ativismo em movimentos conservadores (e anticorrupção!), Zambelli fez campanha para que seu irmão se elegesse vereador em São Paulo. Graduando em Direito, sem conhecimento político algum, ele recebeu 12 mil votos. Não é tão pouco assim, mas insuficiente para se eleger pelo PRTB.

A deputada citou dizeres religiosos em seu perfil no Twitter após o resultado e também fez duas perguntas: “"O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?".

Respondo: o erro é subestimar a inteligência dos eleitores. Teorias conspiratórias convencem parte do público, mas quanto mais inverossímeis, menos poder têm. E então Trump retuita Santos, pregando para seus convertidos, enquanto perde todas as lutas judiciais (fora da Suprema Corte) contra a eleição de Joe Biden.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

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