PT, PSOL e o dilema da esquerda identitária

Candidatas transexuais mobilizam jovens, desafiando a esquerda clássica petista

Guilherme Boulos (PSOL) fez história no domingo. É o primeiro candidato de esquerda, sem ser do PT, que chega ao segundo turno das eleições municipais em São Paulo. Improvável que vença Bruno Covas (PSDB), um “social-democrata” que herdou o imenso capital político do avô. Sua carreira melhorou muito em 2016, quando implodiu o PSDB municipal junto com João Doria (PSDB), tornando-se vice-prefeito até o empresário ser eleito governador no fim de 2018.

Em outros tempos, contra outros candidatos, Covas poderia ser considerado de esquerda simplesmente por ser favorável a direitos humanos e civilidade básica no debate público. Exige-se, hoje, mais do que isso para ocupar esse espaço.

PT, PSOL e candidaturas identitárias lutam para falar em nome dos pobres e minorias que são maiorias, como mulheres e negros.

Jilmar Tatto (PT) errou ao não incorporar, por exemplo, o discurso de transgêneros. Talvez isso não pegasse bem na periferia paulistana, onde esse tipo de discussão tem muito menos importância do que o tempo que o trabalhador gasta para chegar ao escritório de ônibus. Dois de seus irmãos, Arselino e Jair, ambos petistas, tiveram juntos quase 55 mil votos e foram eleitos para a Câmara Municipal. Erika Hilton (PSOL), transgênero, foi a sexta vereadora mais votada, com 50.508 votos. Os petistas têm carreiras sólidas. Erika terá que mostrar serviço para se reeleger em 2024. Mas os tempos estão mudando.

O carisma de Boulos e o desgaste do PT são os principais responsáveis pela ascensão do PSOL em São Paulo. O futuro da esquerda se dará, cada vez mais, em torno da pauta identitária. Irrelevante para muitos, é algo que mobiliza poucos com suficiente intensidade para angariar força política real.

O PT larga atrás do PSOL nessa corrida.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

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