O vexame de Barroso e o TSE

Quem diria? Fake news e interferência governamental nas eleições não foram os problemas da eleição de 2020

O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente atual do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, passou os últimos meses posando de guardião da democracia. Em dezenas de vídeos, entrevistas e textos em redes sociais, alertou para o problema das “fake news”. Convocou o biólogo Atila Iamarino para falar sobre precauções contra o coronavirus no ato de votar.

Esqueceu-se do básico: fazer com que o aplicativo “e-Título” aguentasse o tranco de organizar a justificativa de ausência de centenas de milhares de pessoas e, mais crucial ainda, garantir rapidez na apuração dos votos.

O que se vê às 22h do domingo é o contrário. Multidões com dificuldades de usar o aplicativo (algo não muito grave, pois há prazo largo para justificar a ausência) e apenas 0,39% dos dados de São Paulo foram divulgados. Outros estados, como o Rio de Janeiro, também estão bastante prejudicados.

A questão não é com as urnas eletrônicas e a lisura do voto, ao contrário do que a horda bolsonaristas (e joicista) quer fazer crer. Houve um problema no processador do computador que agrega os votos eletrônicos. Não é culpa direta do ministro. Mas chama atenção a falta de plano B para algo tão crítico.

Infelizmente, a vontade de Barroso para ter atenção é tão grande que chegou a falar em “eleição digital”, via celular e tablet, em 2022. Concentre-se no arroz-com-feijão que já está bom demais, ministro.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV)

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