O risco Bernie Sanders

Ainda não está definido, mas o senador socialista tem boas chances de ser o candidato do Partido Democrata contra Donald Trump

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um autoproclamado socialista tem chances excelentes de ser candidato do Partido Democrata à presidência. É verdade que em 2016 o senador Bernie Sanders já havia enfrentado Hillary Clinton de igual para igual. Mas neste ano Sanders não tem, por enquanto, concorrente à altura. Sua vitória nas primárias de New Hampshire foi por uma pequena margem, mas se junta a um bom segundo lugar em Iowa. Sanders obteve 25,7% dos votos, contra 24,4% e 19,8% dos moderados Pete Buttigieg e Amy Klobuchar.

Sanders afirma que seu socialismo é “democrático”, com o intuito de se diferenciar de ilustres como o norte-coreano Kim Jong-Um e o (comunista) chinês Xi Jinping – para ficar apenas no século XXI. Mas é fácil imaginar Donald Trump (Partido Republicano), que tenta a reeleição, sendo incisivo e irônico com o socialista. Mestre da retórica agressiva, Trump terá facilidade em associar Sanders ao que há de pior na esquerda mundial. Não se pode esperar que os ataques a Trump tenham muito sucesso. O ex-astro de televisão será o décimo-terceiro presidente norte-americano a buscar a reeleição. Dos doze anteriores, nove foram reeleitos. Os três que perderam – Gerald Ford em 1976, Jimmy Carter em 1980 e George Bush (pai) em 1992 – enfrentavam crises econômicas. Por sua vez, Trump navega um ótimo cenário, com o desemprego a menos de 4%.

O principal erro de Bernie Sanders é achar que os eleitores democratas e os swing voters (aqueles que decidem o voto com base no desempenho dos candidatos durante a campanha) querem uma reforma radical no Estado norte-americano. Economistas estimam que as políticas públicas propostas pelo senador democrata custariam U$$ 60 trilhões – sim, trilhões. Sanders evita, é claro, responder se a classe média pagará essa conta.

Não é certeza que Sanders será o candidato dos democratas. O bilionário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, promete entrar com força na disputa a partir do mês que vem. E seu dinheiro pode mudar o cenário.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

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