O Brasil está fragmentado, não polarizado

Segundo turno mostra que os políticos moderados são numerosos demais para se unirem em uma única frente contra o bolsonarismo

Dois herdeiros políticos sagraram-se vitoriosos hoje: Bruno Covas (PSDB) e João Campos (PSB). Ambos suaram frio nos últimos dias. Guilherme Boulos (PSOL) e Marília Arraes (PT) pareciam chegar firmes à reta final, mas não foi o suficiente para tirar o triunfo dos jovens Covas (40) e Campos (27). Sim, 40 anos é jovem para a política brasileira. Luciano Huck (sem partido) tem 49, João Doria (PSDB) 62 e Sergio Moro (sem partido) 48. É a partir dessas cinco novidades, em relação a 2018, que se pode desenhar algo como uma (ou várias) frente contra o bolsonarismo.

As eleições municipais mostram um país menos polarizado e a caminho de se tornar menos fragmentado em 2022.

Apesar de a “frente ampla” estar na cabeça dos políticos e caneta dos colunistas (como na penúltima frase), sua base é um pouco falsa. Reeleições presidenciais são um referendo ao desempenho do incumbente. Isso não significa que seja fácil, a partir de agora, dividir o Brasil entre “bolsonaristas” e “não-bolsonaristas”. É bastante provável que a rejeição a Bolsonaro seja apenas um dos fatores a decidir o voto em 2022. Talvez nem mesmo seja o principal. As eleições municipais mostram, ainda que de modo incipiente, que há muitas opções ideológicas no Brasil para além do petismo e bolsonarismo.

A boa notícia é que a quantidade de partidos políticos com representação em Câmaras Municipais diminuiu significativamente neste ano em cidades pequenas, com até 20 mil eleitores. Isso aconteceu, entre outros fatores, por causa da proibição de coligações em eleições para vereador. Cada partido teve que disputar sozinho. Além da diminuição da fragmentação partidária, o bom efeito dessa regra é que estimula os partidos políticos a fortaleceram suas marcas.

O processo é longo, mas começou.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

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