Freixo, Tatto e a esquerda aos pedaços

Sem ideias novas capazes de atrair eleitores de centro, PT e PSOL estão perdidos nas eleições municipais

O debate político na esquerda brasileira não consegue se beneficiar da crise (ideológica) bolsonaristas. Os apoiadores jornalísticos e “intelectuais” do presidente sofreram imenso baque no inquérito das fake news. E se alguém ainda levava Olavo de Carvalho a sério, seus seguidos tuítes pedindo dinheiro para políticos e empresários bolsonaristas mostram que de professor ele não tem nada.

Cenário fértil, poderíamos imaginar, para o PT e PSOL aproveitarem. Esses partidos sofreram menos do que, por exemplo, PSDB e MDB com a Lava Jato e a eleição de Bolsonaro. O PT conseguiu pintar – com certa dose de razão – a prisão de Lula como arbitrária. Guilherme Boulos e Marcelo Freixo, no PSOL, dão continuidade ao legado da vereadora carioca Marielle Franco, cujo assassinato ainda mobiliza simpatizantes.

Mas a esquerda, infelizmente, tem pouco a dizer. O influente Celso Rocha de Barros, sociólogo e funcionário concursado do Banco Central, deu voz no Twitter ao historiador Jones Manoel, que acha ruim ser “anti-stalinista”. (E ainda há quem tenha coragem de chamar Bolsonaro de genocida…)

Enquanto isso, Marcelo Freixo joga no ar, a partir de um misterioso abaixo-assinado de artistas, a possibilidade de substituir a deputada estadual Renata Souza na candidatura à prefeitura carioca pelo PSOL. Freixo gostaria de ser um “candidato de consenso” no primeiro turno. PDT e PT, com candidatas próprias, não topam. Sabem que em um segundo turno contra Marcelo Crivella tudo pode acontecer. O ego de Freixo joga terra no discurso politicamente correto de que “vidas negras importam”. Na prática, nem tanto.

Em São Paulo, o candidato petista Jilmar Tatto, ex-secretário na prefeitura de Fernando Haddad (PT), quase não conseguiu convencer o vaidoso professor da USP e Insper a participar do lançamento da candidatura. Haddad explicou que daria uma palestra para engenheiros um pouco antes e não chegaria a tempo. Pegou tão mal que acabou comparecendo. Muitos petistas paulistas apoiam Guilherme Boulos (PSOL), hoje empatado com o prefeito Bruno Covas (PSDB), Celso Russomano (Republicanos) e Márcio França (PSB).

Do jeito que a coisa anda, Bolsonaro-2022 parece cada vez mais plausível.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

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