Despedida e uma autocrítica

Em mais de quatro anos como colunista de EXAME, tentei explicar por que nosso país elege políticos de má qualidade

Uns dois anos atrás, antes das tragédias, uma amiga me disse que minhas colunas na EXAME eram malvistas entre meus colegas de faculdade por serem “negativas, pessimistas” em excesso. Como em qualquer crítica a mim, reagi com autodefesa. O tom dos textos é esse, óbvio – ela não enxerga a situação do país? Hoje vejo razão.

É fácil ser destrutivo, mesmo que eu tenha tentado fazê-lo com certa elegância. Meus alvos prediletos estavam mais para a direita disfarçada de centro – João Doria, Bruno Covas, Luciano Huck etc – do que para outros políticos, já criticados por toneladas de artigos em diversos veículos. Por que ser repetitivo?

Com esse texto, despeço-me da EXAME, onde escrevo desde dezembro de 2016 sob os editores Lucas Amorim e Fabiane Stefano. Em meu primeiro artigo, tentei explicar o motivo de brasileiros elegerem criminosos para comandar nossos cargos políticos.

O tema me acompanhou desde então e me desconcertou. Ao contrário da reportagem policial brasileiros dos anos 50 em diante – onde brilharam Nelson Rodrigues e Marcos Faerman, entre tantos outros –, não há charme no ofício de colunista. Não posso reclamar. Ter espaço no debate público, mesmo que pequeno, foi um privilégio.

Nas eleições de 2018, o trabalho começou a perder a graça. Escrever sobre a campanha de Bolsonaro como um analista em busca da isenção foi, com frequência, tarefa difícil, que arriscava me levar à vala dos “contrarians” de baixa qualidade que formigam por aí. Espero dela ter escapado.

Mas, disseram-me amigas e amigos, alunas e alunos, família – minhas razões de viver –, nem sempre consegui.

Obrigado a quem me leu e, especialmente, a Lucas e Fabiane.

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