Sobre Cartórios, Blockchain e desintermediação

O papel da tecnologia blockchain em um mundo com menos intermediários, menos burocracia e mais eficiência

Tive um professor em Stanford que dizia: “tecnologia é apenas uma ferramenta; mal utilizada só faz o sujeito chegar mais rápido ao lugar errado.”

Essa frase me vem à mente quando vejo empresas automatizarem processos que não fazem sentido, anacrônicos ou que não se justificam além da manutenção do “status quo” burocrático.

Uma visita forçada a um cartório, essa semana, fez-me lembrar mais uma vez do Professor Moore. É verdade que os cartórios têm buscado um certo nível de automação, procurado melhorar o serviço, mas o rabo continua abanando o cachorro. Não existe foco no cliente – em mim, em você ou qualquer usuário – que paga a conta. É a burocracia autofágica.

É compreensível o zelo dos tabeliões pois, como me explicou um dono de cartório, estão sujeitos a auditoria e penas impostas pela corregedoria. Faz sentido que defendam o negócio, mas isso, via de regra, implica uma rigidez que aumenta o custo para quem demanda seus serviços.

Atribuir a culpa apenas aos cartórios – que lucram com a ineficiência do sistema – seria injusto, mas vale questionar o modelo que impõe uma intermediação cara.

É certo que precisamos de registros de propriedade, contratos, nascimentos, matrimônios, óbitos e tantos outros. Questionáveis, entretanto, são as incontáveis cópias autenticadas, reconhecimento de firmas e outras exigências esdrúxulas. Elas mostram o alto custo operacional de uma sociedade em que existe baixo nível de confiança nos cidadãos e descrédito quanto a leis e sanções. É muita lei, muita regulação, muita corrupção e pouco respeito.

Peço ao leitor um pouco de paciência, pois trago uma boa notícia. Existe uma tecnologia com alto poder de mudar nossas vidas, de nos ajudar a reduzir essa praga chamada burocracia. Ela se chama BLOCKCHAIN.

BLOCKCHAIN é tecnologia por trás das criptomoedas, como o famoso BITCOIN. Em termos simples: BLOCKCHAIN é a plataforma e BITCOIN é o aplicativo. Da mesma forma que o IOS, do iPhone, permite a criação de milhares de aplicativos, cada um deles dedicado a tarefas específicas.

BLOCKCHAIN é um grande livro de registros descentralizado, sem dono ou agente centralizador, e que pode ser usado pela rede de usuários. Imagine registros feitos nesse livro gigante, em sequência.

Imagine que já no registro 2044, alguém deseje alterar o registro 1687. Para que isso ocorra, todos que efetuaram os registros de 1687 em diante precisariam concordar com a mudança. Algo impossível de acontecer. Isso torna a tecnologia robusta e à prova de fraudes.

Com essa plataforma, aplicativos como CONTRATOS INTELIGENTES – aqueles que se auto executam quando regras preestabelecidas são cumpridas – também serão comuns. Duas partes acordam um determinado pagamento se um critério for atendido, como o valor de uma commodity chegar a um determinado preço, por exemplo. Quando isso ocorre, a conta de uma parte é debitada e da outra, creditada. Tudo sem qualquer intermediação além da própria plataforma, com baixíssimo custo de transação.

Registros de contratos e bens também poderão ser feitos em BLOCKCHAIN, assim como o rastreamento de remédios e outros itens, o que garante a origem e evita falsificações.

Parece incrível, mas há 45 anos eu assistia aos Jetsons na TV e a videoconferência era coisa de ficção científica. Posso garantir que os efeitos do BLOCKCHAIN não levarão décadas para serem sentidos e, quem sabe, em um futuro próximo, a visita a um cartório seja tão desnecessária quanto a uma agência bancária atualmente.

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