Vendas X ESG, um novo paradigma?

Será que as táticas de marketing e vendas das empresas estão alinhadas aos seus discursos de ESG?

Para as empresas, o importante mesmo é vender o máximo sempre e por isso todas as oportunidades devem ser aproveitadas.

Dito assim, de sopetão, esta frase acima pode até assustar e muitos executivos, se confrontados com ela, provavelmente negarão em um primeiro momento.

Mas, na minha opinião, muitas empresas trabalham sim para sempre vender o máximo possível em todas as oportunidades. Sei como as coisas funcionam e não sou ingênuo, mas me pergunto o quanto isso será sustentável para as próprias empresas de agora em diante.

Todo mundo está falando muito de ESG e, obviamente, sabemos que o dinheiro dos consumidores não é infinito (pelo menos o meu não é), ou seja, se gastar demais, vai faltar. Aula básica de economia. Mas, com cada empresa olhando apenas para o seu quadrado na hora de vender e apostando principalmente nas compras por impulso e puramente emocionais, que no fim acabam sendo o que realmente alavancam as vendas, principalmente nas datas especiais como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Natal e Black Friday, faço uma pergunta simples. O quanto as táticas de marketing e vendas estão alinhadas com o discurso de ESG?

Economia sustentável não combina muito com vendas por impulso e, deixando a ingenuidade de lado novamente, sei que muitos negócios sobrevivem apostando principalmente nas compras por impulso e, como nós consumidores somos muito suscetíveis à isso um dos principais objetivos do marketing e da comunicação é conseguir ligar exatamente esta “chave” no consumidor, que faz ele consumir primeiro e pensar depois. Então, como chegar a um equilíbrio que fique bom e seja sustentável tanto para as empresas como para os consumidores?

Pesquisei e não encontrei nenhum estudo mais recente falando sobre compras por impulso, mas um estudo antigo do SPC mostrava que 52% das pessoas do universo pesquisado fizeram compras por impulso em um período de 3 meses e outro estudo mostrava que 41% das pessoas que haviam comprado por impulso estavam inadimplentes. De qualquer maneira, sabemos o impacto das compras por impulso e o papel do marketing nisso e com certeza se estas pesquisas fossem feitas hoje, talvez os resultados não fossem tão diferentes. Ou será que a pandemia teria mudado algo?

Na minha opinião, enquanto cada empresa olhar para o seu quadrado, apenas querendo vender cada vez mais, sem se preocupar de verdade com o seu consumidor e com o quanto ela tem o poder de interferir na vida dele, forçando-o muitas vezes a inconscientemente tomar decisões erradas para o seu bolso (e nem vou entrar nos aspectos psicológicos das compras por impulso), mais insatisfação e frustração será gerada e não apenas nos consumidores.

Por fim, toda esta discussão de ESG é muito bonita e faz as empresas saírem muito bem nas fotos e nos releases de imprensa, mas ela precisa chegar também nas bases e refletir o comportamento da empresa em todas as frentes, a começar pelo entendimento do quanto as suas táticas de marketing e vendas podem atrapalhar o seu papel social e econômico na vida de cada consumidor dos seus produtos.

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