O início da retomada, ou não!

Começamos a ver os primeiros sinais de retomada de uma vida regular. O que isso significa no relacionamento com nossos clientes?

Esta situação de isolamento social me fez lembrar de um filme que assisti na década de 80, e que contava a história de um rapaz jovem que tinha perdido a esposa. Pela profunda tristeza que este episódio causou em sua vida ele decide treinar seu cachorro para resolver tudo que ele necessitava fora de casa.

(Ainda em épocas pré-internet) ele amarrava um bilhete no pescoço do cachorro com a mensagem para o comerciante local com o que ele queria, juntamente com uma pequena bolsa de dinheiro – talvez uma versão low tech de compras on-line.

As pessoas da pequena cidade ficaram espantadas de início, mas resolveram seguir com a proposta de “relacionamento”, respeitando o luto do rapaz.

Durante um tempo aquele ‘modelo’ funcionou até que alguém achou que isso era demais, e resolveu prender o cachorro até que o recluso dono aparecesse novamente na cidade.

Como seres humanos, assim como qualquer ser vivo no planeta, temos a natural propensão de nos adaptarmos as situações mais adversas. Com raras exceções, o homem é um dos poucos animais que conseguiu desenvolver formas de sobreviver tanto no deserto do Saara quanto nos extremos da Antártida.

Minha leitura é que se não tomarmos cuidado podemos criar a ‘geração Covid’, pessoas que decidiram migrar definitivamente suas vidas para dentro de casa.

Durante estes últimos anos tive oportunidade de, seguidamente, conversar com pessoas que decidiram mudar drasticamente o rumo de suas vidas depois de perceberem o impacto (negativo), que o seu trabalho e as empresas na qual elas estavam empregadas, gerava para a sociedade e seus clientes.

Não tive contato recente com nenhuma destas pessoas, mas entendo que elas talvez tenham sido precursoras desta mudança que podemos, a partir de agora, caminhar de forma mais consciente.

O que quero dizer com isso é que nestes últimos anos tivemos todo tipo de problemas como reflexo de nosso modelo socioeconômico. Em um ambiente ‘pré-covid’ onde mais da metade das pessoas não estava feliz em suas atividades profissionais, a reclusão social para muitos foi o motivo perfeito para sair da ‘roda de sansara.’

É relativamente natural que haja resistência para que as pessoas voltem por livre e espontânea vontade.

Compreendendo que relacionamento com clientes é tanto um movimento de dentro para fora (considerando aqui os funcionários, fornecedores e sócios da empresa) quanto de fora para dentro (os clientes, concorrentes e a sociedade como um todo).

Me fazendo valer de uma referência que o Márcio compartilhou comigo há alguns dias, alguns mais radicais estão vendo neste momento a oportunidade de um grande reset, conforme divulgado pelo Fórum Mundial de Economia há alguns dias  (https://www.weforum.org/great-reset/).

Seja como for, compartilhando minha experiência com empresas que passaram por variadas situações de mercado e empresarial, diria que antes de negar que o próximo passo na retomada com o “normal” ou “novo normal” é evitar qualquer coisa diferente do que já fizemos nestes últimos 5 meses, mas sim aproveitar todos os desafios que este período de reclusão já nos mostrou até aqui, e avaliarmos sinceramente onde acertamos, onde erramos e onde podemos melhorar no relacionamento com nossos clientes e nossa função social como empresas e empresários.

Se teimarmos em achar que o “antigo normal” deve ser também o “novo normal” talvez uma onda do convid-20 seja nossa próxima parada, ou talvez possamos buscar fazer diferente e quem sabe encontrar algo de valor além do arco-íris.

Seja como for, o mais importante é compreendermos que estamos onde nos colocamos. Isso nos dá a liberdade de que podemos e devemos dar um próximo passo de forma mais consciente e responsável como sociedade global.

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