M.Officer nos ensina que não existem atalhos para lucros rápidos

Ganhar muito dinheiro e rápido: é esse o principal motivo para abrir e forma de gerir uma empresa?

Uma das piores coisas que pode acontecer para uma empresa com uma marca forte, é ver esta marca estampada de maneira negativa em vários veículos de comunicação. Mas, quando a notícia diz que a empresa será impedida de vender no seu principal mercado, fico imaginando então o que deve passar na cabeça dos funcionários e dos clientes.

E é isso que está acontecendo agora com a M.Officer, uma marca já consagrada principalmente no mercado de moda paulista, onde agora ela pode ser proibida de atuar pelos próximos 10 anos em função de uma condenação na justiça sobre o uso de trabalho análogo a escravidão para produção de seus produtos, conforme a matéria que você pode ler aqui. E, além disso, também arcar com uma multa de R$ 6 milhões.

Aliás, este problema tem parecido ser muito mais o padrão do que a exceção quando falamos na indústria de moda no Brasil; uma rápida busca aqui no Google mostra a quantidade de marcas famosas envolvidas nisso.

Sempre falo que uma empresa nunca controla o seu faturamento, porque ele depende das vendas e as vendas dependem dos seus clientes quererem comprar. A única coisa que a empresa controla 100% são as suas despesas, inclusive os pagamentos de impostos. Afinal, uma empresa pode escolher não pagar impostos e embolsar este dinheiro, certo? Claro que isso trará consequências ruins para ela e seus sócios, mas ainda assim é uma escolha.

Da mesma forma uma empresa (e seus donos) pode escolher ganhar mais piorando a qualidade do seu produto ou serviço, ou fazendo como a M.Officer, que tentou diminuir ao máximo os custos de produção sem se importar com as consequências.

Mas as consequências com a qual o dono da M.Officer não se importou vão além destas tangíveis da justiça e penso imediatamente em duas. Claro que apenas a condenação, se realmente efetivada, proibindo a empresa de atuar em São Paulo por 10 anos, já é por si própria suficiente para fazer a empresa fechar.

Mas a primeira consequência intangível é a da percepção do cliente, uma vez que seria o primeiro caso de uma condenação como esta, o que faz ser impossível prever como o mercado reagiria. Apenas imagino que abriria um precedente enorme e seria um prato cheio para os consumidores ativistas, por isso as outras marcas que se cuidem.

E a segunda é a frustração do empresário. Aquela frustração de ver algo que você criou, depois de tantos anos, morrer única e exclusivamente por conta de suas escolhas erradas e pela ganância de achar que ganhar muito dinheiro tinha sido o único motivo para a empresa ter sido aberta. Esta é a hora em que muitos empresários (nem todos, infelizmente) entendem que ganhar muito dinheiro rápido nunca deveria ser o principal motivo para abrir uma empresa, e que atalhos para este fim nunca chegarão a bons lugares, definitivamente.

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