Boom de IPOs acelera busca por startups e quem ganha é a economia do país

Para um País com os evidentes e recorrentes entraves de crescimento econômico como o nosso, esse avanço e as startups, em si, são mais do que vitais

Por: Pyr Marcondes

Já falei, a quem me lê aqui na Exame, que o recente boom de IPOs na economia brasileira otimizou e acelerou, como decorrência quase que imediata, o mercado de M&A no País. As empresas que estão em vias de ou já fizeram seu IPO saem ao mercado avidamente em busca de empresas para aquisição. Pois o mesmo está ocorrendo com as startups. Isso é excelente para as startups, estratégico para as empresas em IPO, mas fundamentalmente, é altamente benéfico para a economia do Brasil.

O ecossistema de funding e desenvolvimento de startups no País, se não pode ser comparado ainda a alguns dos mais avançados do mundo - estando na liderança, além dos EUA, nações como Reino Unido, Canadá, Israel e Alemanha - exibe já uma cada vez mais robusta e estruturada cadeia de valor. Nos rankings internacionais que acompanham essa evolução, o Brasil passou a ser citado, recentemente, entre os 20 do topo da lista.

Para um País com os evidentes e recorrentes entraves de crescimento econômico como o nosso, esse avanço e as startups, em si, são mais do que vitais. Os motivos são inúmeros. Vou citar apenas alguns:

  • As startups aceleram avanços na área de desenvolvimento tecnológico, um dos setores menos privilegiados e menos estimulados pelas políticas públicas no Brasil;

 

  • Elas conseguem navegar sob o radar das crises econômicas, porque o mercado de investimentos que as suporta segue ativo, mesmo sob as adversidades, além de ser também estimulado pelo capital global, que não tem fronteiras para os avanços que as startups podem representar, estejam elas onde estiverem;

 

  • São alavanca de inclusão econômico-social, pois sua natureza é naturalmente flexível e permeável as boas ideias, independentemente de se originarem neste ou naquele estrato da cadeia social (não são hoje nada tão fora da curva assim iniciativas disruptivas nascidas em camadas socialmente mais sensíveis da população, sendo que há hoje um sem número de iniciativas de fomento financeiro destinadas exatamente a esses segmentos da sociedade);

 

  • Ao serem, por natureza, disruptivas, sobem o sarrafo da inovação a patamares recorrentemente superiores, o que faz o País superar-se, mesmo sem conseguir, minimamente, resolver nem as questões mais basais da economia, como inflação, contas públicas, distribuição de renda, etc;

 

  • Fomentam o mundo corporativo e seus avanços, porque estão cada vez mais sendo chamadas a contribuir com as áreas de pesquisa e desenvolvimento das grandes companhias, que já perceberam que não conseguem mais superar os desafios da escala exponencial dos mercados, sendo elas praticamente a sua única saída para não perderem essa acelerada e, hoje, sem fim, corrida contra o tempo.

    Poderia citar outras, mas fiquemos com essas.

    No caso dos IPOs, e voltando a eles, é exatamente um minestrone de todas essas condições que acaba por engrossar o caldo da sopa: as empresas que gravitam em torno das bolsas de valores e do mercado aberto de capitais precisam se alimentar delas. Como disse, vorazmente. E esse apetite só deve crescer, de agora em diante.

    Uma curiosidade que podemos observar nesse processo sistêmico que, ainda bem, parece ter adquirido uma inércia irrefreável e recorrente, é que algumas das companhias em processo de IPO, antes dele ou depois, podem ser consideradas, elas mesmas, startups. Outro indicador da aceleração da maturidade dos negócios em bolsa no Brasil.

    O volume de IPOs no país pode até passar por uma acomodação nos próximos anos, mas, ainda assim, deverá seguir em ritmo acelerado e bastante acima dos índices dos anos mais recentes (para registro, a década de 90 é ainda aquela considerada recorde em empresas listadas em bolsa no Brasil: chegaram a ser 600 e hoje, na B3, temos perto de 450).

    Como registram analistas de mercado, em cenário de juros baixos e busca por maior rentabilidade, o número de investidores pessoas físicas na bolsa deve continuar crescendo. Ele praticamente dobrou no último ano. No final de janeiro, o número de CPFs ativos na B3 chegou a 3,3 milhões. Número impensável dois anos atrás, por exemplo.

    Para as empresas que se aventuram no IPO, o futuro parece ser, majoritariamente, bastante promissor. Dados de mercado apontam que a valorização dos papéis das empresas desde seu IPO foi, em média, de 43% no Brasil. Sendo que algumas extrapolam largamente isso, como é o caso da Locaweb, por exemplo, que experimentou uma apreciação de nada menos do que 577% de suas ações.

    Para as startups e para a base do desenvolvimento avançado da nossa economia, essas são excelentes notícias. Elas cresceriam no Brasil, como seguem crescendo em todos os lugares do mundo, independentemente desse estímulo indireto das bolsas de valores. Mas esse empurrão histórico é um anabolizador adicional altamente desejável.

    Não há futuro econômico promissor em País algum, nos tempos que correm, sem startups. E o Brasil está engatando uma segundona nessa corrida. Quase inesperado, mas real.

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