Liderança em tempos de quarentena – insights 7 e 8

Dicas e reflexões sobre questões profissionais e pessoais dentro desse contexto de quarentena.

Seguimos com a série “8 insights sobre Liderança em tempos de quarentena”, disponibilizada por aqui em texto e áudio. Hoje finalizamos a jornada, compartilhando os insights 7 e 8. Pra quem chegou por aqui agora e quer acompanhar os insights anteriores, aqui vão os links:

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Escolhemos como inspiração inicial uma publicação de Mark Nevins na Forbes chamada “Leadership in the times of Covid-19” (Liderança em tempos de Covid-19) e à partir desse insight inicial, verticalizamos o assunto. 

 (Blog | O que te motiva/Site Exame)

Ser mais humano, pensar de forma humana, expandir valores mais humanos. Essa é uma super orientação para o momento!

Por mais voltada ao resultado que seja a essência de sua organização, o momento agora pede um balanço mais harmonioso entre o quesito pessoas versus números”. Todos estão buscando obter os menores prejuízos possíveis no momento, isso é fato, mas o lado humano de sua gestão nunca esteve tão em cheque. As pessoas mais do que nunca vão querer ser tratadas como pessoas. Os limites entre o ser profissional e pessoal agora estão mais tênues. Estamos todos mais expostos, perdendo nossas máscaras profissionais, e isso é bom. As novas gerações, por exemplo, já percebem essas fronteiras como mais frágeis e vem pedindo, não só um maior balanço entre suas vidas profissionais e pessoais, como tem ingressado no mundo do trabalho de forma mais autêntica. 

Nesses tempos de quarentena, até os comentaristas dos maiores jornais televisionados do país estão transmitindo a notícia de dentro de suas casas, sujeitos às intempéries do cotidiano familiar. Todos estão mostrando seu lado mais humano, caseiro, pessoal. E o que estranhamos nas primeiras semanas, agora virou proximidade. O sentimento agora me sinto mais perto deles” já começou a imperar. E você, enquanto líder, não está separado desse novo contexto global. Dependendo de como encarar esse momento, pode gerar elos e alianças extremamente fortes com o seu time, passando por clientes e até investidores. Não tenha medo de se vulnerabilizar. Estamos todos, sem exceção, vulneráveis. 

A vulnerabilidade conecta, como mostra a pesquisadora Brené Brown que explodiu de visualizações em sua palestra – O poder da vulnerabilidade”, anos atrás no Ted Talks.

Além disso, várias correntes já vem mostrando o crescimento de novos conceitos de gestão, mais voltados para as pessoas do que ao resultado para os acionistas. Já falamos em insights anteriores sobre o expoente Simon Sinek em seu livro Líderes se servem por último”, acrescentamos agora mais uma referência; o livro com título no Brasil de Empresas Humanizadas, que traz uma grande pesquisa consolidada por 3 autores de peso sobre a humanização nas organizações. Vale muito a pena ler e refletir. Esses são estudos bastante sintonizados com o momento, e mostram que empresas que se preocupam de forma mais equânime com os seus stakeholders, tem uma alta lucratividade a longo prazo. Se sua empresa ainda não tem um viés mais humano, vale a pena buscar as prerrogativas que fazem de sua organização um ecossistema que se preocupa com todos seus stakeholders, ou melhor, toda a rede de pessoas dentro fora da sua organização – clientes, funcionários, fornecedores, comunidade e acionistas.

Outro ponto interessante: novos selos de validação para organizações mais voltadas ao bem que fazem ao mundo também vem se fortalecendo. Como é o caso da certificação das Empresas B. Esse selo é concedido as empresas e indústrias que contribuem com contrapartidas efetivas na construção de um mundo melhor. As Empresas B portanto, são consideradas as melhores empresas não do” mundo mas para” o mundo. Hoje já são mais de 3 mil organizações com esse selo ao redor do mundo. Vale a pena pesquisar.

O momento aponta para uma necessidade de revisão e mudança de paradigmas e está nas mãos dos líderes uma reorientação para um mundo onde as fronteiras estão diminuindo, o capitalismo se tornando cada vez mais consciente, a tecnologia nos aproximando. Um mundo onde a participação das organizações na construção de realidades mais sustentáveis e de um mundo menos desigual é cada vez mais observada. 

A sociedade está de olho no propósito de marcas e empresas, e está fiscalizando se as ações estão coerentes com seus propósitos declarados. Muito já está mudando e seguirá em transformação. 

Seja o líder que gostaria de ter tido em um momento como esse. Vale a pena refletir sobre isso. Seus colaboradores esperam uma liderança mais humana, e de fato esperam que sua organização ajude na construção de um mundo que até meses atrás estava em transição, agora caminha para reestruturação.

 

 (Blog | O que te motiva/Site Exame)

A pandemia provocada pelo coronavírus tem imposto demandas extraordinárias dentro e fora das empresas e está pondo à prova os líderes de empresas e organizações de todos os setores ao redor do mundo.[…] O que os líderes precisam durante uma crise não é um plano de resposta predefinido, mas sim comportamentos e mentalidades que os impeçam de reagir de maneira excessiva ou exagerada aos acontecimentos da véspera e os ajudem a olhar para o futuro.” Com essa reflexão da McKinsey & Company começamos nosso último insight. 

Interessante perceber o número de manifestações de consultorias, auditorias e das mais diversas organizações e mídias de peso buscando clarear e ajudar a liderança – em todos os níveis, em suas tomadas de decisão diante de um momento que é tão desafiador. 

Nossa relação com o tempo ao longo dessa pandemia foi se transformando aos poucos, e o que parecia no primeiríssimo momento que pudesse ser uma onda mais rápida, tem perdurado. Com isso, readaptações diárias precisam ser feitas.

Toda a infraestrutura dos negócios está pedindo readequação. Do home office à maneira de se comunicar, das preocupações do marketing, passando pela busca de novas agendas para o lançamento de produtos. A adaptação da rotina com os múltiplos parceiros, os desafios enormes do financeiro e da logística. Os cuidados com o time, as novas relações com os clientes e a posição institucional da companhia para a sociedade, entre muitos outros aspectos. 

Tudo requer um novo olhar e uma checagem tripla. A habilidade para controlar a direção do barco está sendo mais do que nunca demandada. E isso pede uma fina visão estratégica diante do ineditismo, misturada a uma grande dose de temperança e conhecimento. Conhecimento que se dá quando as lideranças estão em extrema sintonia com o ecossistema que estão dominando. Ter bons escudeiros ao redor também ajuda nas tomadas de decisão. A troca de experiências e visões com outros gestores é de grande valia.

A vida nos inseriu em um grande jogo que requer múltiplos planos, e um olhar de águia mostrando a hora certa de agir, reagir e mudar de rota se necessário. A flexibilidade hoje é um dos valores mais importantes na condução de qualquer tamanho de negócio. Flexibidade e ação são grandes pilares para o momento. 

A McKinsey, através dos sócios Gemma D’Auria e Aaron De Smet, autores do artigo “Liderança em (uma) crise: reagindo ao surto do coronavírus e a desafios futuros” – com o qual iniciamos esse último insight, trazem mais uma reflexão que vale ser destacada. Eles citam duas capacidades a serem desenvolvidas pela liderança no momento: a “calma deliberada” e o “otimismo contido”.

“A calma deliberada é a capacidade de desapegar-se de uma situação preocupante e de pensar com clareza sobre como enfrentá-la. É uma qualidade que costuma ser encontrada em pessoas judiciosas e bem equilibradas, mas nem por isso menos vigorosas. Outra qualidade importante é o otimismo contido, ou seja, a confiança combinada com realismo. É mais eficaz que os líderes transmitam confiança de que a organização encontrará um caminho para a difícil situação, mostrando que reconhecem a incerteza da crise e já começaram a enfrentá-la.” E emendam dizendo que isso é melhor do que transmitirem uma confiança excessiva, correndo o risco de perder a credibilidade.

Esses pontos reafirmam a importância da transparência e da verdade citadas por nós em insights anteriores. Os autores da McKinsey ainda afirmam que oferecer uma perspectiva otimista, mas realista, tem a capacidade de gerar efeitos poderosos tanto sobre os colaboradores como outros stakeholders, inspirando-os a apoiar a recuperação da empresa.

Não sabemos ao certo quanto tempo esse contexto irá levar, mas a capacidade humana de reinvenção é imensa e todos vamos precisar buscar como conviver com os fatos e seguir avançando.

O importante é imaginar como a sua empresa quer ser lembrada depois que essa crise passar. Que marca você quer imprimir? Os questionamentos agora são de todas as ordens, estamos sendo desafiados a nos desconstruir e nos reconstruir. É bom sempre observar o que outras organizações estão fazendo para lidar com este momento. Exemplos positivos valem ouro.

Uma coisa é certa, quando estudamos a história da humanidade, percebemos que esse é apenas mais um evento sísmico. Muitos já ocorreram, até de formas mais drásticas e duradouras, mas de certa forma, foram esses grandes abalos que abriram caminho para a evolução humana. Como dizia Confúcio “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. Ao fazermos isso, percebemos que o caminho evolutivo não segue uma linha reta, ele se desenha em espirais ascendentes, e muitas vezes, quando nossa percepção é de retrocesso, nas bordas do caos, as sementes de um novo momento já estão começando a se desenhar.

Essa pandemia que hoje envolve o globo, convoca a todos, sem exceção, para mudança e ação. Não importa o quanto você seja capaz de fazer, essa é a hora dos artífices que nos habitam se manifestarem para juntos construirmos o próximo capítulo da nossa história. Cabe a cada um se colocar à disposição dessa transformação que já caminha a passos largos.

Nossa jornada através desses insights foi de duas semanas, mas o tempo parece voar. Muito do que foi dito dias atrás já está em transformação. De fato, tudo muda o tempo todo no mundo, não é à toa que esse foi o nome do nosso primeiro insight. 

Nosso desejo é que possamos aprender e nos fortalecer com todo esse contexto, que possamos todos, pessoas físicas ou jurídicas estarmos abertos às transformações necessárias para saltarmos para uma nova época em nossa história. Que venham os aprendizados dessa época desafiadora, mas que sabemos, vai passar.

E trazemos um pensamento de Victor Hugo para finalizar nossa jornada:

“O futuro tem muitos nomes.

Para os fracos é o inalcançável.

Para os temerosos, o desconhecido.

Para os valentes é a oportunidade.”

Que assim seja!

Os textos foram escritos por Renata OrricoProdutora executiva e empreendedora da Enjoy Conteúdo e Luah Galvão – comunicadora 360º e colunista do blog “O que te motiva” no portal da Revista Exame.

Locução – Luah

Edição e produção dos áudios – Danilo España

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