As dificuldades das “mulheres difíceis”

Uma pesquisa feita pela Ipsos aponta que 27% (quase um terço) dos brasileiros se sentem desconfortáveis quando a chefe é uma mulher

“Insolente”, “chata”, “grossa”, “rude”, “estressada”, “prepotente”, “nervosinha”, “dura”, “difícil”, “mal amada”. Esses são alguns dos nomes pelos quais mulheres são chamadas quando sabem se posicionar, quando estão em cargos de liderança, quando defendem seu ponto de vista no ambiente de trabalho. Para a mulher que é chefe não basta ter as qualidades técnicas para o posto, como acontece com a maioria dos homens, ela precisa provar que tem as habilidades de comunicação e um pulso forte para comandar. Em toda minha trajetória de profissional, não foi diferente.

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Estamos diante mais uma vez da equivocada estereotipização de gênero que existe no mercado de trabalho. É muito importante ressaltar que a assertividade não é a mesma coisa que agressividade. Uma pessoa agressiva, independente do sexo, será de difícil convivência.

Se por um lado as soft skills são cada vez mais valorizadas na hora de contratar alguém, ou seja, sua inteligência emocional, empatia, resiliência, entre outras características, as mulheres ainda são julgadas por sua personalidade. “Para uma mulher coordenar uma grande equipe, ela só pode ser uma carrasca, caso contrário não será respeitada”. Essa visão diz respeito a uma visão cultural que precisa ser mudada urgentemente.

Nossa capacidade profissional não deve estar atrelada a adjetivos de personalidade que variam de pessoa para pessoa. A tipologia de Myers-Briggs, mais conhecida como MBTI (Myers-Briggs Type Indicator) estabelece 16 tipos de personalidade a partir de características como ser introvertido ou extrovertido, sensorial ou intuitivo, racionalista ou sentimental, julgador ou perceptivo, e cada pessoa pode se encaixar em uma combinação desses indicadores. Ter determinadas características não faz um profissional ser mais ou menos competente, são apenas traços comportamentais, e para alguns cargos existem perfis mais desejados do que outros. Isso é válido para homens e mulheres.

Mas o preconceito existe e infelizmente permanece. Uma pesquisa feita pela Ipsos aponta que 27% (quase um terço) dos brasileiros se sentem desconfortáveis quando a chefe é uma mulher. Já o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) fez um levantamento que nove em cada dez pessoas no mundo são consideradas preconceituosas ou tendenciosas contra as mulheres. Isso diz respeito a uma visão de que homens seriam melhores líderes políticos e de negócios.

Segundo o IBGE, mesmo com o fato das mulheres serem mais instruídas do ponto de vista da educação e de acesso ao ensino superior, elas ocuparam apenas 37,4% dos cargos gerenciais em 2019, recebendo cerca de 77% do que os homens nas mesmas posições. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) aponta que em 2021, 25% das empresas de capital aberto entrevistadas não tem nenhuma mulher na diretoria (cargos C-Level) ou em conselhos (como administrativo ou fiscal).

Sabemos que esses dados não podem ser sustentados por critérios técnicos, então nos resta considerar que há sim um entrave a mais para a presença de mulheres nesses cargos, o preconceito de gênero. A renomada cientista Jane Goodall, que revolucionou os estudos sobre primatas, disse “Não precisa de muito para ser considerada uma mulher difícil. Por isso que existem tantas de nós”. Isso porque para ser difícil basta você falar o que pensa, criar suas próprias regras, se impor, ser pioneira, não aceitar quando dizem “você não pode” ou “você não deveria”. Então mulheres, continuem sendo assertivas, conquistem seus sonhos, não tenham medo de se expor, não aceitem menos do que vocês merecem. Sejam vocês mesmo se isso significar ser chamadas de difíceis.

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