Você precisa mesmo de um propósito?

Propósito virou mais um desses clichês empreendedores e é meu papel como professora de mais de 40 mil alunos deixar claro: propósito não se vende

Por Nathalia Arcuri

Pra alguns vem como um "click", uma força quase sobre humana que te move em direção a algo maior. Já conheci gente que só foi entender o próprio propósito depois dos 80 anos e também vi quem não tivesse a menor paciência pra isso e se deu muito bem, obrigada. 

Propósito virou mais um desses clichês empreendedores e é meu papel como professora de mais de 40 mil alunos deixar claro: propósito não se vende e, ainda que você tenha um, também não é garantia que o seu negócio será um sucesso. 

Recebi centenas de mensagens pedindo pra contar como achei o meu propósito de mudar a vida financeira do brasileiro por meio da democratização da educação e antes de te contar como isso aconteceu já vou te avisar: eu não pedi pra ter um propósito. Ele veio e foi mais forte do que eu. 

Era janeiro de 2014. Meu casamento de sete anos chegara ao fim e eu me vi diante de uma sugestão do meu ex-marido: "Vamos vender o apartamento e cada um fica com a sua metade" ele disse. Nós dois tivemos a mesma participação na compra e reforma do apartamento que foi adquirido à vista na planta, oito anos antes, com 15% de desconto (a melhor negociação da minha vida). Vender aquele imóvel significava voltar para a casa dos meus pais e perder a minha liberdade. Além disso eu decorei cada canto, paguei tudo à vista… eu amava aquele lugar. 

"Eu vou comprar a sua parte" - eu disse a ele depois de dar aquela verificada básica nos meus investimentos cuja rentabilidade, na época, não chegava aos pés da minha carteira atual. Detalhe: O imóvel se valorizou e dobrou de preço naqueles oito anos, o que fez com que a minha metade custasse mais do que pagamos pelo imóvel juntos. Mas te garanto: foi barato perto da sensação de liberdade proporcionada pela disciplina que eu adquiri com o dinheiro desde a infância. 

Foi aí que o tal click do propósito aconteceu. 

Naquela mesma semana fui escalada pra fazer uma reportagem sobre violência doméstica e cheguei a um dado que até hoje me arrepia só de pensar. 70% das mulheres que se submetem a relacionamentos abusivos permanecem sob o teto do agressor porque são dependentes financeiramente. E mais: a cada sete segundos uma mulher é vítima de agressão no Brasil. 

Abalada pela imagem da mulher agredida que precisou sair às pressas com os filhos para um abrigo sob ameaça de morte do parceiro, eu prometi pra mim mesma que dedicaria todos os dias da minha vida a proporcionar aquele momento de liberdade pra quem mais quisesse ou precisasse. 

Até então eu não sabia o que era propósito. Naquele momento, eu descobri. 

Minha sugestão pra você que está em busca de um propósito é simples: pare de buscar. Não existe GPS pra isso. 

"Mas Nath, sem um propósito claro meu negócio nunca vai dar certo!".

Não é bem assim… 

Você não precisa de um propósito, você precisa de um motivo pra fazer os seus clientes se interessarem, voltarem e indicarem o seu produto ou serviço. 

A pergunta que você pode se fazer é: 

"Em que eu ajudo os meus clientes e porque eles voltariam?". 

Se o que você tem pra oferecer é bom e ajuda as pessoas, pode ter certeza: não será por falta de propósito que o seu negócio irá falhar. 

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