5 notícias da semana: o que chega de novo no mundo dos livros

Companhia das Letras lança novo livro de poemas de Angélica Freitas e livro sobre fake news da jornalista Patrícia Campos Mello; confira outras notícias

Novo de Angélica Freitas

A poeta e tradutora gaúcha Angélica Freitas (1973) lança em agosto seu terceiro livro de poemas, “Canções de Atormentar”, pela Companhia das Letras. Em “Rilke Shake” (Cosac Naify, 2007), família, lembranças de Pelotas, sua cidade natal, e feminismo davam o tom dos poemas. No premiado “Um Útero É do Tamanho de um Punho” (Cosac Naify, 2012), a imagem singular do título dá a linha narrativa do livro, que aborda machismo, corpo e violência sexual, sempre com ironia e sentido de urgência. A Companhia das Letras relançou o título em 2017.

Em “Canções de Atormentar”, a poeta traz no título referência ao seu trabalho também com a música: Freitas vem investindo em apresentações performáticas que misturam poesia e canção, sempre ao lado de sua esposa, a artista Juliana Perdigão (“Folhuda”, 2019; “Dúvidas”, 2020). O novo livro, novamente com humor e ironia, fala da infância no Sul, de injustiça, machismo, nostalgia e do esforço em compreender o Brasil contemporâneo.

"Canções de Atormentar", novo livro de Angélica Freitas “Canções de Atormentar”, novo livro de Angélica Freitas

“Canções de Atormentar”, novo livro de Angélica Freitas (Companhia das Letras/Divulgação)

Coletânea para baixar

Pela editora independente batizada de “PANdemônio Edições e outros atos ilícitos”, os escritores Fred Di Giacomo (“Desamparo”, 2018) e Cristina Judar (“Oito do Sete”, 2017) organizaram “Pandemônio: nove narrativas entre São Paulo – Berlim”, coletânea de contos escritos durante a quarentena do novo coronavírus, em um e-book que pode ser baixado gratuitamente aqui.

Além de contos de Di Giacomo e Judar, o livro conta com textos inéditos de Aline Bei, Jorge Ialanji Filholini, Raimundo Neto, Carola Saavedra, Alexandre Ribeiro, Karin Hueck e Carsten Regel. O trabalho é dedicado às vítimas da pandemia no Brasil, em especial quatro artistas vitimados pelo coronavírus: Antonio Bivar, Aldir Blanc, Ciro Pessoa e Sérgio Sant’Anna.

Livro "Pandemônio: nove narrativas entre São Paulo - Berlim" Livro “Pandemônio: nove narrativas entre São Paulo – Berlim”

Livro “Pandemônio: nove narrativas entre São Paulo – Berlim” (Divulgação/Divulgação)

Sociedades ingovernáveis

A Editora Ubu lança em setembro “A sociedade ingovernável – Uma genealogia do liberalismo autoritário”, do filósofo francês Grégoire Chamayou (1976). Chamayou ficou famoso por “Teoria do Drone”, ensaio que traz uma abordagem multidisciplinar sobre o funcionamento dos drones para fins militares, como isso vem sendo aplicado na atualidade por governos e como a Ética entra na equação.

No novo livro, o filósofo retraça as origens do neoliberalismo e mostra como surgiram as “novas artes de governar”: como reação à “crise de governabilidade” dos anos 1970, quando governantes começaram a enxergar a problemática de forças como as mobilizações trabalhistas e ambientais, os atuais jogos políticos criaram o liberalismo autoritário, onde o Estado é forte em nome da “economia livre”. O livro faz parte da Coleção Explosante da Ubu, que publicou autores como Frantz Fanon e Alain Badiou.

"A Sociedade Ingovernável", de Grègoire Chamayou “A Sociedade Ingovernável”, de Grègoire Chamayou

“A Sociedade Ingovernável”, de Grègoire Chamayou (Ubu/Divulgação)

Novo Agosto

Um dos maiores sucessos da literatura brasileira contemporânea volta em nova edição pela Editora Nova Fronteira. “Agosto”, romance de Rubem Fonseca de 1990, mistura ficção e realidade para contar os turbulentos acontecimentos políticos de agosto de 1954 no Rio de Janeiro, às vésperas do suicídio de Getúlio Vargas.

Alberto Mattos é um comissário de polícia que investiga um assassinato de um empresário. Ao mesmo tempo, um grupo articula um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, opositor de Vargas. O escritor morreu em abril de 2020, no Rio de Janeiro, aos 94 anos.

"Agosto", romance de Rubem Fonseca “Agosto”, romance de Rubem Fonseca

“Agosto”, romance de Rubem Fonseca (Nova Frontei/Divulgação)

No rastro das fake news

A jornalista Patrícia Campos Mello é alvo de ameaças e perseguição desde 2018 quando, durante as eleições presidenciais, reportou supostos crimes de campanha de Jair Bolsonaro: empresários favoráveis ao candidato estariam financiando disparos de mensagens via WhatsApp e em redes de disseminação de notícias falsas. O próprio WhatsApp, em setembro de 2019, afirmou que no Brasil, durante as eleições, houve envio maciços de mensagens, via sistemas automatizados.

Agora em agosto, Campos Mello lança pela Companhia das Letras “A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, livro onde usa sua experiência pessoal para analisar como líderes populistas vêm manipulando redes sociais, de modo a criar campanhas de difamação e disseminar notícias falsas, inclusive com grupos contratados de “trolls” ou via programas automatizados que postam mensagens no Twitter ou Instagram. O trabalho também traz análise de como eleições presidenciais recentes nos Estados Unidos e na Índia foram influenciadas por fake news.

"A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital", de Patrícia Campos Mello “A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, de Patrícia Campos Mello

“A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, de Patrícia Campos Mello (Companhia das Letras/Divulgação)

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