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O futuro de nossas carreiras neste 2022 pós-pandemia

Passados dois anos vividos à sombra da Covid-19, arrisco dizer que muitos saíram fortalecidos e renovados pelas experiências difíceis

Aluizio Falcão Filho

No primeiro dia de 2021, redigi o seguinte sobre uma possível lista de resoluções para o ano novo: “Se eu fosse escrever algo do gênero, rabiscaria apenas uma única linha: utilizar o que aprendi durante a pandemia para enfrentar os desafios deste novo ciclo”. Um pouco mais à frente, esquadrinhei três lições da pandemia: tornar-se necessário, imprescindível e indispensável; sintonizar-se diuturnamente com as mudanças de mercado; e botar em prática as mudanças exigidas pelo cenário: ser flexível e ter a cabeça aberta para abraçar transformações necessárias ou até novos modelos de negócios.

Passados dois anos vividos à sombra da Covid-19, arrisco dizer que muitos saíram fortalecidos e renovados pelas experiências difíceis. Mas há também aqueles que apertaram um botão “reset” e voltaram ao mesmo comportamento de antes. Há empresários que insistem nos mesmos erros e executivos que não se reciclaram. Continuando a oferecer aos seus empregadores mais do mesmo.

Para estes indivíduos que não aprenderam com um período tão traumático haverá inevitavelmente – com as devidas exceções de praxe – o caminho do esquecimento. Passaremos por uma transição difícil neste 2022. Clientes já fizeram uma lista mental de quem continuará como fornecedor em um futuro próximo; empresários também já enumeraram aqueles colaboradores que serão riscados de seus planos.

Há, porém, mercados que continuam em expansão e devem reprisar o efeito “rouba-monte” do ano passado – aquele em que empresas buscam um grupo de talentos na concorrência e oferecem salários bem mais altos. Mercados como os de tecnologia e de logística devem repetir neste ano a mesma toada de 2021. Mas, fora destes oásis de crescimento, haverá ajustes. Não necessariamente motivados por cortes de custos, mas com o objetivo de elevar o nível de gestão das companhias.

Nestas férias, passei muito tempo ouvindo música e observando as ondas do mar. Ouvi especialmente algumas bandas de rock progressivo, como Genesis, Emerson, Lake and Palmer e Pink Floyd – as mesmas que escutava quando era adolescente. Nesta época, divagava sobre como seria meu futuro e me perguntava que tipo de pessoa eu seria quando tivesse minha idade atual.

Acertei em duas coisas: que eu teria um cabelo com manchas grisalhas como Alcides Diniz (irmão de Abílio), embora um pouco mais curto, e que teria uma trajetória de sucesso no jornalismo, com direito a dirigir alguns veículos. No restante, errei muito. Especialmente quando pensei no passado o que seria importante para ter uma carreira exitosa.

Naquela época, achava que a combinação de talento e inteligência bastaria para ser reconhecido. De fato, são ingredientes importantes na escalada profissional de qualquer pessoa. Mas, na ingenuidade de minha juventude, esqueci de um detalhe: o mundo está repleto de jovens talentosos e inteligentes. Portanto, essa fórmula seria apenas o início de tudo, mas não um fator determinante de êxito.

Percebi, durante essa reflexão, que um dos fatores que me trouxeram onde cheguei foi a resiliência. Muitas vezes, vencemos uma batalha simplesmente porque permanecemos em pé, enquanto os concorrentes vão ficando pelo caminho.

A vitória é uma sensação inebriante, especialmente quando somos mais jovens. E é aqui que surge o ponto de partida para uma segunda lição. Depois do triunfo, vem uma sensação de poder e de autorrealização. Daí para cairmos na arrogância é uma questão de poucos metros. Portanto, despir-se de uma atitude arrogante é importantíssimo. Não que a humildade seja algo necessário. Mas os arrogantes dificilmente conseguem enxergar seus erros. Raramente pedem opiniões aos outros. Ou acham que podem melhorar aquilo que estão produzindo.

Mesmo aqueles que conseguem deixar a arrogância de lado têm dificuldade de aprender com os outros. E aqui é que surge a terceira lição: os humildes e os subalternos podem nos ensinar muito. Toda vez que pedi uma opinião de alguém da minha equipe ouvi análises que mereciam ser ouvidas.

Por último, aprendi a duras penas que a opinião política não define o todo de uma pessoa. “Esquerdinhas” e “reaças” podem contribuir em muito para um trabalho em equipe — ou para sua vida particular. Visões radicalmente diferentes da sua podem abrir as portas da criatividade e destravar processos que precisam ser renovados há anos. O mesmo vale para a diversidade de maneira geral. Mas, para isso, precisamos nos despir dos preconceitos que estão arraigados há décadas em nossas almas – preconceitos esses que são mais fortes ainda que a resistência a determinadas visões políticas.

O chamado “day after” da pandemia começa agora, neste 2022. A transformação não será para todos, mas vai atingir profundamente aqueles que são resistentes às mudanças e às quebras de paradigma. É hora de compreender, de uma vez por todas, que não se pode controlar as forças que determinam a reinvenção contínua do mundo. Somos todos passageiros nesse processo. Se não nos adaptarmos rapidamente, o motorista do ônibus vai parar em um ponto aleatório e nos mandar descer. Mesmo que não tenhamos acionado a campainha.

 

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