O pessimismo é sempre notícia; o otimismo parece fake news…

Brasil não está predestinado nem a fracassar nem a ser o novo Eldorado

Essa não fui eu que inventei. Vem da venerável (e para alguns execrável) casa Goldman Sachs: nós estamos nos primeiros estágios de um superciclo de commodities que irá durar por anos e guirá os preços dos recursos muito altos. Essa é a síntese de um relatório da consultoria. E daí? Bem, se isso acontecer há o risco de Bolsonaro surfar na mesma onda benéfica de Lula. Onda não: tsunami. No bom sentido.

E por que afinal o autor vem com essa pororoca econômica a essa altura do campeonato? A rigor, o que mais me importa aqui não é a inevitabilidade do paraíso bolsonarista ou não. O que vale destacar, para os tomadores de decisões, é como existe uma pandemia de pessimismo, sobretudo no noticiário e nas análises. E é de se perguntar: até que ponto esse círculo vicioso não se retroalimenta, prejudicando a qualidade das decisões e a avaliação dos cenários?

Eu mesmo, se tivesse iniciado aqui com algo tenebroso ou catastrofista, provavelmente teria mais possibilidades de cliques e likes. De onde se conclui que pode haver quase  um conflito de interesses entre ser sombrio e ser mais acessado. E, do outro lado, um “erro” de posicionamento em não ser agourento: quem se interessa, afinal, por alguém que não produza adrenalina e stress?

Mas onde afinal de contas se quer chegar com tudo isso aqui? Seguinte: o Brasil não está predestinado nem a fracassar nem a ser o novo Eldorado. O pessimismo ranheta e renitente, por mais que faça sucesso, é tão pouco instrumental quanto o otimismo ufanista e quixotesco. O que faz a diferença é o que fazemos, como sociedade, agora. Não existe nada traçado, nem maldições, nem milagres.

Na prática, a histeria e a chamada “polarização” (que é muito mais gritaria do que contraponto) serve apenas para criar condicionamentos sobre a nossa realidade e o nosso futuro absolutamente mentais e, na maioria das vezes, catastrofistas.

Na prática, o país precisa urgente de uma conjugação de esforços entre seus poderes – Exexutivo e Legilativo, sobretudo – para que destrave a economia, tire da prateleiras reformas com mofo prontas para serem votadas, ative a economia, recrie o máximo dos empregos perdidos com a pandemia. 

Não podemos nos dar ao luxo de colocar a “democracia em vertigem” mais uma vez. 2021 de trabalho sério e crescimento, 2022 também. Sucessão presidencial? Cada um escolha o seu daqui a dois anos. Agora, tá na hora de escolher o Brasil.

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