A “briga” Brasil/EUA já tem campo de batalha definido: o teatro

Quem espera vale tudo entre Brasil e EUA, na presidência Biden, prepare-se para um tele catch

Antigamente, nos primórdios da televisão, não havia lutas de box e muito menos a selvageria do octagon e o vale tudo do UFC. Briga na tevê era o “tele catch”, em que um galã fingia apanhar de um vilão numa luta que parecia circense e, no final, depois de passar por um cômico calvário, repentinamente, se recuperava e ganhava a luta. Quem espera vale tudo entre Brasil e EUA, na presidência Biden, prepare-se para um tele catch.

Não que a situação do governo Bolsonaro seja confortável. Mas, como diriam os economistas, vamos aos fundamentos: o que colocar no lugar de um liberal de Chicago para comandar a economia? Ou um banqueiro no Banco Central? O próprio presidente veio do meio militar e seu palácio é…uma caserna. Ou melhor, um estado maior, um viveiro de generais, almirantes e servidores do Estado brasileiro. Que risco um governo com esse perfil oferece ao seu maior parceiro do Norte?

Colaboramos nas questões estratégicas centrais do âmago do interesse americano no mundo e não desafiamos nenhum interesse real, militar ou econômico, do Império. Então, o que resta? Propaganda, decerto. E nada dá mais o que falar que a Amazônia. Ok! E aí temos a chance de desenvolvermos uma das mais cinicas (sem críticas, até com elogio aqui) controvérsias bilaterais de todos os tempos.

O governo Biden ataca o Brasil por não defender o meio ambiente e a Amazônia. O governo Bolsonaro vende um naco do pré-sal (fóssil) para alguma petroleira americana em leilão. O governo Biden exige iniciativas ambientais “robustas”. O governo Bolsonaro, pelos seus privatistas da economia, vende nacos saborosos da petrolífera estatal brasileira. Biden isso, Bolsonaro abre o mercado de gás. Biden aquilo, compramos o 5G americano.

Sem contar que pense numa briga boa pros dois. Biden fica bem na foto de defensor da floresta. A águia americana em pele de panda. Fofo! Bolsonaro ressuscita a épica e nostálgica campanha de “O Petróleo é Nosso” (que não será mais nosso, diga-se, mas isso não tem mais a menor importância) e retroflita com “A Amazônia é nossa!”. Show de bola. Brasiilllllllll!!!!!!!

Nacionalismo na veia. O Zé Carioca com pele de onça. Militares unidos em torno do interesse nacional. Até uma certa esquerda fica meio caidinha (“meu herói…”). Os presidentes podem rugir um pro outro? Talvez faça sentido. Os governos irão brigar? Será que faz sentido?

Enquanto isso, ah, enquanto isso, todo mundo se diverte. É tele catch. Não é vale tudo.

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