A próxima onda do blockchain e tokenização

Descubra como os participantes do mercado estão se preparando para a próxima fase no mundo dos criptoativos

Não é novidade que os holofotes do universo das criptomoedas estão totalmente voltados para o boom dos NFTs. Também não é novidade que o mercado de criptomoedas e blockchain passou por sucessivas ondas ao longo dos últimos anos colocando em evidência sempre a última novidade do momento.

Desde que comecei a acompanhar criptomoedas em 2013, pude presenciar diversas dessas ondas de perto. Vamos recapitular rapidamente os principais temas que dominaram as manchetes dos últimos anos:

DLT - 2016

Em 2016 foi a vez da tecnologia blockchain e DLT (tecnologia de ledger distribuído). No final de 2015 a matéria de capa da The Economist com o título de “A máquina da confiança" despertou ainda mais o interesse já crescente na tecnologia blockchain. Startups focadas em blockchains permissionados que praticamente ignoravam as criptomoedas, como era o caso da R3 e Digital Assets de Blythe Masters eram as queridinhas do momento e os bancos e bolsas tradicionais vibravam com a ideia de usar somente a “parte boa” da invenção de Satoshi.

 (The Economist/Reprodução)

ICO - 2017/2018

Em 2017 tivemos a primeira grande alta das criptomoedas fermentando a bolha dos ICOs (ofertas iniciais de moeda) que perdurou até o início de 2018. Todos queriam entrar no próximo ICO quente. Foi assim que o projeto EOS captou US$ 4 bilhões se tornando o maior ICO da história.

Stablecoins - 2019

Já 2019 foi o ano em que só se falava de stablecoins, as criptomoedas que tem paridade com moedas fiduciárias. Muitas stablecoins surgiram nesse ano e algumas que já existiam, como o tether e tiveram um primeiro ciclo de crescimento exponencial. A popularidade culminou com o fiasco da Libra, a tentativa de lançamento de uma stablecoin do Facebook. Nesse ano também se acentuaram as conversas sobre CBDCs, as "stables" dos bancos centrais.

DeFi - 2020

O ano de 2020 foi marcado pelo crescimento dos protocolos DeFi (Finanças Descentralizadas) com a Maker DAO inovando com uma stablecoin e um mercado de crédito descentralizado. Outros protocolos como Compound e exchanges descentralizadas (DEX) como Uniswap também ganharam notoriedade nesse mesmo ano.

 

Dias de Hoje

Agora em 2021, enquanto assistimos atônitos empresas como a Visa pagar US$ 350 mil por um NFT de uma pequena arte pixelada de um CryptoPunk, uma verdadeira revolução silenciosa se prepara para emergir.

Colocando em perspectiva, os quase US$ 100 bilhões hoje usados em protocolos DeFi e as dezenas de bilhões em NFTs são cifras notáveis, mas não quando comparamos com os trilhões de dólares que poderão ingressar no mercado na próxima grande onda.

A novidade em questão talvez já seja conhecida por alguns dos leitores. Não chega a ser um tema totalmente novo mas assim como no caso dos NFTs, os primeiros anos dessa inovação não chegaram a causar um impacto significativo.

Estou falando de security tokens, ou STOs para manter a tradição de sopas de letrinhas das últimas ondas. Os STOs são ativos digitais que representam ativos reais e até valores mobiliários, como ações de uma empresa. Eu escuto falar de security tokens desde 2016 e já em 2017 era considerado uma grande promessa.

Com o estouro da bolha dos ICOs e o aperto dos reguladores, as iniciativas em security tokens passaram para segundo plano e os projetos passaram a ser cada vez mais tímidos e nichados.

Quase 5 anos depois, começamos a ver o mercado de STOs tomar forma apesar de ainda haver muitas barreiras regulatórias. Alguns dos principais projetos de security tokens são lançados em  jurisdições pouco veneradas como Seycheilles, Antígua e Barbuda e Cazaquistão, justamente como forma de contornar essas barreiras.

No entanto, tudo indica que estamos próximos de um ponto de inflexão em tudo que diz respeito aos security tokens. Os investidores e reguladores estão mais abertos e agora conhecem mais sobre essa nova classe de ativos, além disso, empresas emissoras estão começando a enxergar nos security tokens uma nova forma de acessar capital de risco.

 

Selecionei alguns movimentos que mostram que o mercado de security tokens deve esquentar rápido:

  • Em Junho de 2021 o Morgan Stanley, tradicional banco de investimentos americano, liderou uma rodada de US$ 48 milhões para a plataforma americana de STOs chamada Securitize.
  • Em Setembro deste ano, uma das maiores e mais antigas exchanges do mundo, a Bitfinex, lançou uma plataforma de tokens regulada no Cazaquistão.
  • A INX, uma corretora regulada nos EUA, concluiu recentemente a aquisição da plataforma de trade secundário de security tokens OpenFinance. Antes disso, a INX já tinha realizado um IPO do seu próprio security token de mesmo nome (INX) e de um token lastreado em diamantes.
  • Em Outubro de 2020 a exchange FTX lançou os primeiros tokens fracionados de ações listadas em bolsas tradicionais. Em Dezembro do mesmo ano a FTX lançou tokens do AirBnb antes mesmo da ação ser negociada na Nasdaq. A Binance, maior exchange do mundo, também listou tokens de ações de empresas seguindo a FTX.
  • Um dos maiores bancos da França, o Société Générale conseguiu autorização para emissão de títulos de dívida em DAI, a stablecoin do protocolo de DeFi MaekrDAO. O montante de USD 20 milhões não é alto para o SocGen, mas sinaliza a tendência à inovação e o pioneirismo.

A lista poderia se estender mas já dá para ter uma ideia do que pode vir por aí. E no Brasil? Quais são as perspectivas para o mercado de STO?

A CVM concluiu em 30 de setembro o processo de escolha de projetos para o seu sandbox de inovação. Dentre os 33 projetos propostos, apenas 3 foram aprovados para o sandbox regulatório. Um dos projetos aprovados é o da BEE4, desenvolvido pela Finchain, Beegin e CIP no qual tive o privilégio de participar desde o início. A BEE4 será pioneira no Brasil na negociação de tokens que representam participações em pequenas e médias empresas.

É claro que esse é apenas um primeiro passo, mas se nos guiarmos pela velocidade que a onda de STOs está chegando no exterior, será questão de tempo até isso virar uma realidade também no Brasil. Quando isso acontecer, as ondas anteriores irão parecer pequenas marolas.

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