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Três desafios para 2021

O Brasil e o mundo devem usar o aprendizado deixado por 2020 para dar uma guinada histórica

Não é tarefa fácil escolher os três principais desafios para um ano novo quando o ano velho é 2020. Além do luto de inúmeras famílias que perderam pessoas queridas na pandemia e de um estado de estupefação geral que assolou o planeta, se existe algo que 2020 nos deixou aos montes foram desafios. Vamos lá. Para escolher três, eu apostaria em dois mundiais e um brasileiro: 1) obter vacinação em massa; 2) redirecionar nossas atividades para cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; e 3) aprovar no Brasil as reformas administrativa e tributária.

Vacinação

A vacina contra o coronavírus é primordial para humanidade. Todos os esforços precisam ir nessa direção. Aqui não há espaço para divergências políticas, disputas econômicas ou anticientificismo. Somente a vacinação poderá pôr fim à enorme crise de saúde que estamos vivendo e ao mesmo tempo permitir a retomada plena da atividade econômica e do convívio social.

Alguns países estão mais avançados e começaram a vacinação ainda em 2020. Outros, como o Brasil, estão correndo para iniciar o processo. Temos um ótimo histórico nessa área. Nossos programas de vacinação são referência no mundo. Por aqui, a imunização dos grupos prioritários deve levar quatro meses, após os quais a população em geral poderá receber sua dose.

Um ponto de atenção: os especialistas em saúde já deixaram claro que tomar vacina não significa abrir mão imediatamente dos mecanismos de proteção ao contágio. Ou seja, deveremos permanecer por uma boa parte de 2021 com a máscara no rosto e o álcool em gel nas mãos, entre outros cuidados.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Recentemente acendeu-se um sinal de alerta em relação aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que foram definidos em 2015 para que o mundo os atingisse em 2030. No final de 2019, o Pacto Global das Nações Unidas constatou que não estávamos no caminho certo, e lançou a Década da Ação, que se iniciou em janeiro de 2020 para acelerar o cumprimento dos ODS.

Não atingir os ODS significará perpetuar e escancarar nossas fragilidades diante de acontecimentos capazes de nos dizimar. Podem ser novas pandemias, podem ser eventos causados pelas mudanças climáticas, podem ser outras tragédias. Uma lição deixada pelo ano velho é que não podemos estar tão despreparados. Precisamos agir.

Por parte das empresas, de todos os países, há a necessidade de uma guinada estratégica rumo a uma economia de baixo carbono. A diversidade precisa ser uma prioridade absoluta. A preocupação com as pessoas e com o entorno das operações fabris ganha importância que sobrepuja o lucro. A ética, a transparência e a governança sólida, calcada em princípios, não podem aceitar senões.

Em resumo, o ESG precisa ser incorporado na espinha dorsal de cada corporação. Como escreveu o presidente da Rumo, João Alberto Abreu, aqui na Exame, “esta é a forma correta de gerenciar um negócio e a única maneira de preservá-lo no longo prazo” (aqui).

Em 2020, 78 empresas se inscreveram para fazer parte, a partir de 2021, da nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) da bolsa de valores brasileira, uma alta de quase 70% em relação a 2019, quando 46 empresas se inscreveram. Isso já é um sinal de melhora. Mas ainda é pouco. Precisamos avançar mais.

Não me canso de repetir que o Brasil tem uma oportunidade única de assumir protagonismo absoluto na questão ambiental, em diferentes frentes, alimentando o mundo, exportando tecnologia verde e gerando créditos de carbono. Já temos a tríplice habilitação para isso: o agronegócio mais eficiente que existe, a melhor matriz energética e a Amazônia, com o enorme potencial da sua biodiversidade, desde que a floresta permaneça em pé.

Não podemos perder essa chance. Se remarmos para o lado certo, com segurança jurídica e ambiente propício aos investimentos necessários, certamente promoveremos vultoso desenvolvimento ao país e bem-estar à população.

Reformas

Aprovar as reformas tributária e administrativa é crucial para o país aprumar três pilares imprescindíveis para nosso crescimento: solvência, eficiência e desburocratização.

O tamanho gigante do Estado e a escalada dos gastos públicos fizeram com que nossa economia não crescesse o que poderia crescer desde os anos 1980. O primeiro passo para reverter isso já foi dado com a reforma da Previdência, mas as outras duas não podem esperar mais.

Já escrevi neste espaço um texto sobre cada uma dessas reformas (aqui sobre a administrativa e aqui sobre a tributária). Em síntese, sem elas continuaremos lutando contra o espírito empreendedor do brasileiro e minando nossa capacidade de gerar empregos. Continuaremos alimentando nossa colossal desigualdade social. E viveremos sempre à sombra da dívida pública.

* Luis Henrique Guimarães é presidente da Cosan

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