Conheça o teste de ancestralidade desenvolvido por startup brasileira

Startup meuDNA quer democratizar os testes de DNA no Brasil

Muita gente tem grande curiosidade sobre as origens das suas famílias antes de chegarem ao Brasil. Particularmente tenho especial curiosidade nesse tema pois há muitas histórias incríveis de superação, empreendedorismo e resiliência por parte das famílias de imigrantes e escravos que povoaram nosso país.

Um tio recentemente organizou um livro que conta história dos antepassados que saíram de uma pequena cidade da Alemanha para se instalar no sul do Brasil em busca de melhores oportunidades e fugir das constantes guerras da região. Por parte de mãe, alguns anos atrás fui num evento que reuniu diversos parentes descendentes do mesmo ramo da família. Ouvi muitas histórias sobre os imigrantes, como chegaram, se instalaram e adotaram o Brasil como sua nova pátria.

Em ambos os lados da família, a maioria das histórias contadas parecem começar nas razões que fizeram os imigrantes sair das suas cidades naquele momento e partir para um novo continente, porém há uma longa trajetória e curiosidades anteriores a esse momento que fez com que eu tivesse contato com uma startup chamada meuDNA.

A healthtech fundada em 2019 é parceira da Mendelics, empresa que possui um laboratório especializado em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), que permite realizar centenas de milhares de análises ao mês. Segundo a empresa, ela possui o maior banco de dados genético brasileiro e a maior capacidade de sequenciamento de DNA da América Latina.

A proposta da startup é democratizar os testes de DNA no mercado brasileiro, trazendo informação genética que possa aumentar a qualidade de vida e autoconhecimento. O primeiro produto lançado foi o teste de ancestralidade chamado meuDNA Origens que compara o código genético do indivíduo testado com 88 populações do mundo todo. O teste é capaz de resgatar as origens de até 8 gerações atrás. Tudo isso realizado sem sair de casa.

O processo inicia com a compra do kit que é feita online através do site da empresa. A jornada começa com a chegada do kit de coleta no endereço registrado. A caixa contém o tubo coletor do material genético, a etiqueta para o tubo de coleta, a declaração de conteúdo e o envelope para retornar a amostra para análise da meuDNA. A experiência começa já nesse momento pois tudo foi pensado para orientar o usuário a manipular corretamente a amostra e prepará-la para envio ao laboratório. Ao abrir o kit, lembrei da sensação que tive quando comprei meu primeiro produto da Apple: todos os detalhes foram pensados para garantir que a boa experiência do usuário já comece desde o início.

O primeiro passo no processo é registrar online o kit para receber o código de SEDEX para retorno. Após a coleta da amostra, a mesma é acondicionada na própria caixa e deve ser enviada em até 30 dias para a meuDNA. Segundo a startup, a amostra do DNA ao chegar no laboratório em São Paulo passa por uma triagem que analisa a documentação do usuário, garantindo a proteção dos seus dados genéticos. A privacidade e proteção dos dados genéticos é uma preocupação para todos envolvidos. Veja como a empresa se posiciona sobre esse tema:

“Logo que adquire seu kit, o usuário assina um termo da ciência do que será feito com os dados. A única pessoa que tem acesso aos dados é o próprio usuário, já que ele fica armazenado criptografado.  As informações genéticas presentes em nosso banco de dados são de propriedade do usuário, que possui o total controle sobre seu uso. Seguimos o conceito da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em que os dados são do usuário e só ele decide o que quer fazer com eles. O meuDNA se compromete a não ceder ou comercializar informações individuais identificáveis do usuário sem a sua expressa autorização. Isso quer dizer que nenhuma outra empresa vai ter acesso a seus dados identificáveis sem sua expressa autorização”.

Para a análise de ancestralidade, o método utilizado para análise é chamado de SNP Array, que testa para variantes frequentes nas populações mundiais e tem especificidade de mais de 99%. Os resultados de ancestralidade vêm de modelos estatísticos baseados nos dados populacionais disponíveis até o momento. A empresa tem nos seus bancos de dados, informações de 88 populações distintas.

O momento mais interessante é quando chegam os resultados do teste. Por e-mail a empresa informa que estão disponíveis para consulta na área logada. Além do percentual das populações que compõem o DNA do usuário, há também curiosidades sobre a história, cultura e tradições desses povos. No meu caso, fiquei bastante surpreso com um percentual grande de uma região que não imaginava estar no meu DNA. A partir daí fui pesquisar a história antiga da região dos meus antepassados e abriu-se mais um capítulo de descobertas sobre as origens.

Além do Origens, a meuDNA está desenvolvendo outro teste genético voltado para leitura genética de elementos da saúde do usuário. Segundo a startup, o teste será pioneiro no país e promete mudar a maneira como lidamos como a própria saúde.

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