A era dos mínimos viáveis!

O mínimo viável foi além do produto, tornando-se um modelo mental para diversas atividades relacionadas ao empreendedorismo e inovação.

O termo mínimo produto viável (MVP em inglês) foi popularizado por dois importantes gurus da área de startups: Eric Ries e Steve Blank. Nos últimos anos, não somente o MVP mas diversos outros termos foram cunhados seguindo a mesma lógica do original. O mínimo viável foi além do produto, tornando-se um modelo mental para diversas atividades relacionadas ao empreendedorismo e inovação.

Gestores e empreendedores adotaram a lógica do aprendizado rápido através dos mínimos viáveis.  Separei uma lista com 10 mínimos viáveis que podem lhe ajudar a entender um pouco melhor a abordagem lean/ágil que está por trás do conceito original.

1. Mínimo Produto Viável (MVP)

Esse é o conceito original. Apesar de existir há quase vinte anos dois livros importantes o trouxeram ao grande público: Lean Startup de Eric Ries e Manual do Empreendedor de Steve Blank e Bob Dorf. O MVP é a versão de um novo produto que permite o time de trabalho coletar o máximo de informações sobre o consumidor com o mínimo possível de esforço. Mesmo que não seja a versão completa, o MVP precisa ter o conjunto de funcionalidades que permita resolver o problema pela qual sua ideia ou empresa se propõe, entregando o devido valor ao consumidor.

Um bom MVP permite testar hipóteses estabelecidas e evitar que sejam construídos produtos que o cliente não deseja. Falhar rápido, frequente e barato! Sobretudo aprender o mais breve possível para pivotar o projeto em direção às necessidades dos consumidores.

2. Mínima Burocracia Viável (MBV)

Esse conceito também pode ser visto como a mínima organização viável. Na abordagem ágil, o conceito de mínima burocracia viável diz respeito a ter a menor quantidade de processos de controle possível, apenas o necessário para fazer o trabalho acontecer. As organizações tendem a criar atividades e processos para manter o controle sobre os colaboradores, porém um dos pilares do ágil está na autonomia dos times e a capacidades dos mesmo de tomar decisões de como trabalhar. A MBV propõe uma governança mínima para permitir que os times trabalhem rapidamente no sentido de entregar de maneira contínua valor aos clientes. Para a MBV funcionar é preciso muita comunicação, autonomia e flexibilidade.

3. Mínimo Piloto Viável (MPV)

Testar novas ideias de startups em empresas pode ser um desafio pois a estrutura e visão tradicional tende a repelir novas ideias de fornecedores não tradicionais. O mínimo piloto viável (MPV) trata de criar o adequado direcionamento para que o início da relação startup-corporação seja guiado pelo teste das hipóteses e validação do valor da solução testada. Os pilotos devem ser o mais “lean” possível, focando no aprendizado e teste da inovação desejada de forma rápida e barata.

4. Mínima Função Comercializável (MFC)

Esse conceito é muito semelhante ao MPV porém em um nível de função. O objetivo aqui não é saber se o problema é relevante ou se a solução entrega valor / resolve o problema. O foco é determinar qual das soluções e quais partes da solução devem ser priorizadas nos sprints de desenvolvimento.

5. Mínimo Dado Viável (MDV)

Muitas vezes temos a tendência de tentar coletar e guardar todo e qualquer dado, relevante ou não para criar o conjunto de informações que irão guiar a tomada de decisão futura. Com questões de privacidade cada vez mais importantes e custos de armazenagem associados, a lógica do MDV sugere uma reflexão sistemática nos projetos e na gestão de empresas quanto à coleta e armazenagem de dados. O MDV não é contra os dados mas sim uma ideia de coletá-los e usá-los com responsabilidade.

6. Mínima Plataforma Viável (MPV)

O modelo de negócios de plataforma mudou muitos setores nos últimos anos. Airbnb, Amazon, Uber, Mercado Livre, iFood, OLX e tantos outros são exemplos de sucesso desse modelo. As plataformas de sucesso são negócios bastante difíceis de serem construídos pois requerem entregar valor aos dois lados que transacionam. Da mesma forma de outros conceitos já citados, a mínima plataforma viável propõe levar rapidamente ao mercado a ideia para testar a proposta de valor aos envolvidos através da interação na prática. Para os criadores do conceito outros métodos de validação de fit de mercado são inadequados quando falamos de plataformas. É preciso colocar os dois lados para interagir e transacionar na MPV para ter os aprendizados necessários.

7. Mínima Audiência Viável (MAV)

O princípio da mínima audiência viável trata do esforço de criar um público inicial que possa suportar e utilizar o novo produto ou serviço que está sendo lançado. O MAV é o mínimo necessário de público que é preciso ter para operar um novo negócio. Com essa audiência mínima você irá colocar o foco visando estabelecer um canal direto de comunicação visando obter feedback para melhorar a solução em desenvolvimento. O MAV pode ser explicado como o número mínimo de early adopters necessários para viabilizar sua nova ideia.

8. Mínima Campanha Viável (MCV)

A mínima campanha viável traz para o marketing e vendas o conceito do ágil. Os adeptos propõem esquecer o modelo antigo estilo cascata que tenta planejar uma série de ações em escala num plano passo a passo detalhado sem ter tido interações reais com o mercado. Na MCV busca-se começar pequeno, lançando rapidamente em ciclos curtos de aprendizado e interação. O conceito busca reduzir o tempo e recursos perdidos em planejamentos que não são cumpridos pois a realidade mostra-se diferente. Busca-se estabelecer ações que possam ser executadas em um ciclo de sprint, oferecendo insights e aprendizados. Assim que tiver dados suficientes, melhore a campanha, relance-a e busque por resultados nos ciclos seguintes.

9. Mínimo Time Viável (MTV)

Em novos projetos ou mesmo no início de um novo negócio a formação de um time é sempre um desafio. Normalmente o mantra é formar um time o menor possível e, consequentemente, com o menor custo possível. Os criadores do MTV entendem que esse conceito é tão ou mais importante que o original do mínimo produto viável. Com as limitações de orçamento normalmente associadas ao início de um novo projeto, a composição do mínimo time viável deve focar em atividades que irão construir e entregar valor aos clientes. Muitas coisas que não estão diretamente relacionados a isso devem ser evitados ou terceirizados.

10. Mínimo Lançamento Viável (MLV)

Esse é mais um derivado diretamente do conceito original do MVP. O mínimo lançamento viável (minimum viable launches) trata do lançamento de produtos digitais com o menor capital possível. O ciclo é o basicamente o mesmo dos outros MVs: lançar, aprender, otimizar, relançar… Esse conceito está incorporado em algumas estratégias bem conhecidas como a Formula de Lançamento: pré-lançamento, lançamento e pós-lançamento. Cada uma das fases traz aprendizados e necessidade ajustes nas campanhas.

Para ampliar a lista acima, caso você utilize ou conheça outro conceito relacionado à tendência dos mínimos viáveis, fique à vontade para escrever nos comentários.

Felipe Ost Scherer

 

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