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São Paulo do futuro, um retrato circular

Qual é o futuro possível que nós desejamos? Quais são os esforços coletivos necessários para que ele ocorra?

Um dos temas abordados com frequência aqui no blog é a avaliação de intervenções de impacto. Explorações contrafactuais servem para visualizar potenciais desdobramentos das mudanças. Com base neste raciocínio, fiz um exercício de reflexão e criação de um cenário possível e desejável para o futuro pautado pelos princípios de Economia Circular. Procuro imaginar como seria o município de São Paulo em um contexto em que as inovações para o uso eficiente e eficaz dos recursos é estimulado e adotado. Para isso, coloco-me na pele de um coletor de recicláveis em 2041. O texto é inspirado nesta visão de uma cidade circular na Europa. O objetivo é ajudar a pensar pontos como: Qual é o futuro possível que nós desejamos? Quais são os esforços coletivos necessários para que ele ocorra? Boa leitura!

Sinto orgulho da importância do nosso trabalho. Digo nosso, pois este ofício ultrapassa gerações. Já fomos conhecidos como catadores e carregávamos carroças com todo nosso esforço. Hoje, graças aos meus pais, posso ajudar a manter a cidade limpa com meu tricoletor – o triciclo elétrico que utilizamos para carregar material por aí. Lembro os desafios de ensinar meu pai a usar um smartphone para acessar o aplicativo da reciclagem e criar relacionamento direto com nossos fornecedores. Sim, fornecedores! Era difícil imaginar que as pessoas chamavam de lixo todo aquele papelão, plástico, alumínio e outros materiais preciosos.

Nós, os circuladores – convenhamos, muito mais adequado ao que fazemos – operamos uma extensa frota de coleta com total rastreabilidade dos recursos coletados. Estamos conectados diretamente aos nossos clientes em uma plataforma digital de logística reversa. Nosso trabalho é chave para pequenas, médias e grandes empresas atingirem suas cotas de reciclagem. Hoje, somos mais de 1 milhão de circuladores em todo o país. Contribuímos, e muito, para implantar todas as metas da Lei Nacional de Economia Circular e superar a marca de 90% de coleta e reciclagem no ano passado.

Desde criança, acompanhei a grande readaptação da cidade com foco em suas comunidades locais. Muitos hoje trabalham próximas de suas casas e vários dias em home office. Esta mudança fez tudo ficar comunitário. É tudo co. Os paulistanos vivem no coliving, às vezes trabalham juntos no coworking e alguns até complementam a renda cozinhando nas cokitchens.

Como tudo ficou mais perto, está no dia a dia das pessoas ir e vir com as bicicletas laranjinhas compartilhadas. Se o caminho for maior, pegamos uma scooter ou um carro elétrico. Parece que finalmente percebemos que não precisamos ser donos de tudo o que utilizamos. Estar conectado à comunidade local proporciona verdadeiras oficinas e guarda-roupas comunitários. E ainda conhecemos e interagimos com nossos vizinhos. Como não participar? A “cultura do compartilhamento” nos deixa conectados. Acho que estas foram algumas das grandes heranças da pandemia do início dos anos de 2020. Tempos difíceis para nossa família. Enfim...

Nas margens da metrópole, pequenos produtores de alimentos orgânicos mesclam com os subúrbios, emanando vida para o ecossistema. Isso faz da nossa mesa muito mais saudável! No início de cada semana, recebemos em casa uma caixa de frutas, legumes e verduras frescos e orgânicos dos produtores locais. Quando estou com pressa ou sem tempo para cozinhar, peço aquelas marmitinhas deliciosas feitas por cozinheiras do bairro com vegetais frescos locais. Precisa ter bastante energia para fazer os recursos fluírem!

O ciclo dos compostos orgânicos também está fechado, realimentando o cinturão produtivo e os extensos parques lineares que afloraram. Ouvi dizer que esta realidade também ocorre no interior do país, nas fazendas-florestas! Parte do que é produzido lá vira carne a base de plantas. Uma delícia! Estas especiarias ajudam a garantir qualidade alimentar para grande parte do mundo. E de quebra, várias destas fazendas-florestas recuperaram terra, rios e biodiversidade em vários lugares do Pantanal, Amazônia, Cerrado e até na Mata Atlântica. Como eu gostaria de conhecer estes lugares!

Foi respeitando e mimetizando os ciclos da natureza que conseguimos ajudar com os grandes desafios que surgiram: da disponibilidade de recursos à crise do clima. A reciclagem dos recursos, compartilhamento dos produtos e o uso de insumos mais puros hoje fazem parte do cotidiano. Nos perguntamos algumas vezes se realmente precisamos ter este ou aquele produto.  Aprendemos a valorizar os esforços de quem direciona os recursos nos fluxos corretos (ainda bem!). Relembrar que somos parte dos ciclos da natureza foi um passo necessário para trazer abundância ao nosso dia a dia. Ainda há muito pela frente, mas sinto que estamos no caminho.

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