Quando começar e como avaliar impacto? O caso do BrazilLAB

O hub foi criado em 2015 para conectar o ecossistema de inovação com a gestão pública, visando ao fortalecimento da chamada agenda GovTech

A temática de impacto socioambiental ganha cada vez mais espaço nas discussões empresariais e governamentais. Cada vez mais apoiadores, investidores, colaboradores e contribuintes demandam saber qual o real impacto de programas privados e públicos. Como atender a essa demanda crescente? E como garantir que essa avaliação está ancorada em princípios e premissas sólidas? Para descrever esse processo não trivial, vou discutir o caso do BrazilLAB, hub de referência para aceleração de startups atuantes no setor público.

Como já discutido aqui no blog, o BrazilLAB foi criado em 2015 para conectar o ecossistema de inovação com a gestão pública, visando ao fortalecimento da chamada agenda GovTech. O projeto tem sido extremamente bem-sucedido, tendo acelerado mais de 100 startups nas mais diversas áreas. Os projetos são fascinantes, indo desde otimização do tráfego de veículos via sensoriamento remoto de semáforos até a implementação de blockchain visando ao gerenciamento, à rastreabilidade e à transparência nas compras governamentais.

Avaliar o impacto do BrazilLAB em si pode ser uma tarefa bastante complexa. Vários fatores contribuem para essa complexidade, entre eles: a organização é relativamente jovem e foi se ajustando e ganhando forma ao longo deste período. Isso implica alterações no processo de seleção das startups, mudanças no conteúdo programático e até mesmo adições ao corpo de mentores e instrutores. Tudo isso dificulta isolar o que é o real efeito do BrazilLAB. Contudo, não significa que avaliar o impacto do projeto seja impossível.

É interessante ver como o BrazilLAB organiza-se para esta avaliação. Primeiramente, o grupo tem acessado e organizado uma série de dados e indicadores gerenciais relacionados à qualidade do programa de aceleração, ao valor adicionado às startups depois do programa e ao aumento do relacionamento entre as startups aceleradas com as diversas esferas governamentais. Conjuntamente a este levantamento de dados históricos, a organização tem trabalhado na elaboração de sua teoria de mudança, o que permitirá ter um panorama de quanto o BrazilLAB alcançou nestes cinco anos.

Segundo, a equipe está fazendo um planejamento já para os próximos anos. A definição de uma régua de avaliação constante irá permitir uma comparação entre stratups que entraram no programa com as que não entraram, mas que “bateram na trave.” O acompanhamento de dados dessas startups ao longo do tempo permitirá fazer essa comparação no modelo de regressão descontínua. Este modelo verificará o quanto o BrazilLAB impactou as stratups, comparando as mais semelhantes entre si no momento de entrada.

Avaliação de impacto é um processo complexo com várias etapas. Planejamento, compreensão da teoria de mudança da organização e levantamento contínuo e qualificado de dados são a chave para o sucesso. Assim como promove o BrazilLAB, não há momento melhor para começar a avaliar impacto do que hoje.

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