Os créditos de carbono azul

Conheça o novo mercado de compensação que tem sua origem nos manguezais e que é capaz de sequestrar até 4 vezes mais carbono do que as florestas

O crédito de carbono é um tema amplamente divulgado como mecanismo para a compensação das emissões de gases efeito estufa (GEE) de indústrias, transporte aéreo, cadeias de commodities e até de indivíduos. Esses créditos, em sua maioria, originam-se nos serviços ambientais de “fontes verdes”. Há, no entanto, um novo mercado de compensação que tem sua origem nos manguezais, campos de gramíneas e pântanos salgados capaz de sequestrar até 4 vezes mais carbono do que as florestas e até 40 vezes mais rapidamente - o blue carbon ou carbono azul.

O Brasil concentra um dos maiores ecossistemas de blue carbon. Apenas em termos de área coberta por manguezais, estes ocupam 1,1 milhão de hectares e estão presentes em 338 municípios, que corresponderam a 21% do PIB brasileiro em 2017 e 44 milhões de habitantes (cerca de 20% da população nacional). O Maranhão detém 46% dos manguezais brasileiros, seguido por Pará (22%), Amapá (9%) e Bahia (7%).

No entanto, o ecossistema que compõe o blue carbon está se degradando. E isso pode liberar o carbono preso a até 6 metros de profundidade. A boa notícia é que empresas já estão investindo em mercados voluntários de carbono azul. Esse é o caso da Apple que, em parceria com a Conservation International, pilota um projeto de carbono azul com blended finance na Colômbia. Há também empresas de restauração de áreas costeiras, como a Blue Ventures, que já contabilizam esse serviço ambiental. No entanto, a precificação, medição e os tipos de empresa que necessariamente deveriam compensar as emissões relacionadas a uma Economia Azul ainda estão nos seus primórdios.

E quais empresas deveriam compensar as emissões com carbono azul? A lógica aponta para as 100 empresas que vivem da Economia Azul, que somaram faturamento de US$ 1,1 trilhão em 2018. Dentre elas, a indústria de óleo e gás, pesca, transporte de contêineres, turismo, construção de equipamentos marítimos e atividades portuárias.  

Para a implementação de mecanismos e o engajamento de interessados em blue carbon no Brasil é fundamental, em primeiro lugar, considerar a relação sistêmica do azul, envolvendo desde impactos gerados pelo comportamento do consumidor em terra até as atividades de restauração e conservação de áreas costeiras e manguezais e, claro, do impacto medido e mitigado das empresas que vivem da Economia Azul.

Em segundo lugar, deve-se adicionar a lente de compliance ESG, tanto para as empresas que vivem da Economia Azul, como para aquelas cujo principal produto é escoado por via marítima. Por exemplo, com relação ao “E” do ESG, as empresas de commodities devem ir além do FOB (Free on Board), passar a contabilizar a pegada de carbono do door-to-door e efetuar a compensação via crédito de blue carbon.

Indo além de compliance, para investidores de impacto e empresas inovadoras, há imensas possibilidades de negócios de impacto ao unir temas como bioeconomia na costa amazônica, turismo sustentável em toda a costa brasileira, economia circular, aquacultura, transporte carbono neutro, dentre outras, com associação a créditos de carbono azul. Agora, é só dar o primeiro passo.

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