Escolaridade da mãe influencia mais no sucesso do que meritocracia no país

O impacto da primeira infância ao longo da vida vem sendo estudado pelo pesquisador Naercio Menezes Filho, do Insper. Leia a entrevista

O blog Impacto Social conversou com Naercio Menezes Filho, coordenador da Cátedra Ruth Cardoso e pesquisador do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper, com Ph.D. em Economia pela University of London, sobre o papel da primeira infância no desenvolvimento futuro da criança.

Professor, você faz parte do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). Poderia falar um pouco sobre o NCPI, o trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisadores e da importância de ações como essa?

O Núcleo Ciência pela Infância é uma iniciativa colaborativa entre o Insper, a USP, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a Fundação Bernard Vanleer e Universidade Harvard, para disseminar o conhecimento científico sobre a primeira infância na sociedade brasileira.

O NCPI oferece um programa de formação de lideranças, tem um simpósio anual, um laboratório para lançamento de novos projetos e um comitê científico (que eu coordeno) com mais de 20 cientistas de diferentes áreas, como psiquiatria, enfermagem, educação, economia, psicologia, neurociências e sociologia.

O comitê científico escreve textos para discussão em linguagem acessível para os gestores. O próximo passo do NCPI será fazer pesquisa científicas de ponta para ampliar a produção de conhecimento nessa área.

A primeira infância é um tema recorrente na sua agenda de pesquisa. Neste trabalho, você e coautores analisam a relação entre escolaridade da mãe e do filho, no que chamou de “loteria da vida”. Como o background familiar influencia a vida futura de uma criança?

Sim, grande parte do sucesso na vida de uma pessoa depende das suas condições familiares na época do nascimento.

Quem teve sorte de nascer numa família com melhores condições econômicas terá muito mais facilidade para realizar seus objetivos, pois vai ter acesso a um capital cultural muito maior desde o nascimento, estudar nas melhores escolas durante a vida e conviver com outras pessoas com essa mesma vantagem.

Sendo assim, a meritocracia é bastante relativa no Brasil. Por aqui a “loteria de vida” tem um papel maior na determinação do sucesso das pessoas do que a meritocracia.

Com base em seus trabalhos, você consideraria o desenvolvimento na primeira infância como um dos mais importantes determinantes para o sucesso futuro? Por quê?

Para aumentar as chances de quem nasce em famílias mais pobres é preciso investir em políticas públicas desde a primeira infância. O retorno social para o dinheiro gasto nos primeiros anos de vida é maior do que nas demais fases do ciclo de vida.

O crescimento do cérebro é muito rápido nos primeiros anos de vida, com formação de sinapses (ligações químicas entre os neurônios), que, se não forem aproveitadas, são desprezadas e não se formam mais. Por exemplo, se você não aprender a falar inglês sem sotaque nos primeiros anos de vida, nunca mais vai conseguir.

Crianças que vivem em ambiente tóxico por muito tempo acabam tendo esse processo de desenvolvimento prejudicado. Assim, é preciso fornecer uma rede de proteção social, educação e saúde para as crianças mais pobres, para que elas desenvolvam suas habilidades cognitivas e socioemocionais adequadamente desde o nascimento e possam aprender sem dificuldades na escola.

Caso contrário, irão sair da escola antes do tempo e permanecer transitando entre a informalidade e a criminalidade ao longo da vida, ficando para sempre dependendo do Estado.

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