É possível monetizar impacto social?

Pongeluppe e Fabiani apresentaram exemplos aplicados de duas abordagens de monetização de impacto, Análise Custo-Benefício e Social Return on Investment

Por Jorge Ikawa

O Insper Metricis promoveu recentemente a 24ª Oficina de Impacto Socioambiental com o tema É possível monetizar impacto social?. O evento contou com a participação de Leandro Simões Pongeluppe, doutorando em estratégia na Universidade de Toronto, e Paula Fabiani, CEO do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social). Você pode conferir o workshop completo aqui.

Durante a iniciativa, Pongeluppe e Fabiani apresentaram exemplos aplicados de duas abordagens de monetização de impacto, Análise Custo-Benefício (ACB) e Social Return on Investment (SROI), respectivamente. O primeiro caso foi utilizado para valoração de um programa de treinamento desenvolvido pelo Banco da Providência em comunidades carentes do Rio de Janeiro. Já o segundo, na avaliação do CEAP (Centro Educacional Assistencial Profissionalizante), uma escola profissionalizante gratuita.

Em sua apresentação, Pongeluppe ressaltou que, primeiramente, para conseguir isolar os efeitos da intervenção, utilizou-se de um sorteio entre os inscritos no programa para definir participantes e um grupo de controle. Ao comparar esses dois grupos, foi possível verificar que os participantes tiveram um aumento de renda. Este valor foi então utilizado como referência para a monetização do impacto. “Nós achamos que, em uma estimativa neutra, em que não há nem depreciação nem apreciação de renda, eu tenho, para cada R$ 1 investido no projeto do Banco da Providência, um valor adicionado para a sociedade de R$ 2,37”, complementa.

Pongeluppe pondera, no entanto, que há algumas limitações nas abordagens de monetização. Por exemplo, a avaliação de impacto detectou que os participantes se tornaram mais otimistas e autoconfiantes. Além disso, constatou-se que, após o treinamento, as pessoas aumentaram a percepção de estigma por serem moradores de favela. “Eu não consigo estabelecer um valor, quanto eu teria de pagar para essa pessoa para compensá-la por ela estar se sentindo mais estigmatizada. Eu não consigo ter um valor para isso. Mas eu consigo informar como melhorar o programa e como trabalhar isso nas pessoas”, conclui.

Fabiani trouxe à discussão o fato de o SROI permitir a transformação monetária sem necessariamente ter um grupo de comparação. No caso da avaliação do CEAP, foram usadas informações administrativas do próprio projeto, como número de participantes e valores investidos, pesquisas qualitativas com os beneficiários e pesquisas feitas pela própria equipe avaliadora para a monetização. Com base nesses dados, foi possível estimar que cada R$ 1 investido no projeto gerou R$ 3 de benefício à sociedade. “O método é muito baseado nesse diálogo com os stakeholders. É isso que diferencia o protocolo SROI dentro das metodologias que a gente encontra de análise de custo-benefício”, descreve.

Além disso, Fabiani falou da importância do processo avaliativo. “Esse conhecimento da jornada é muito mais valioso do que o número do SROI em si, mas o SROI permite abrir portas com um investidor. Muitas vezes, esta tem sido uma demanda do setor. Isso ajuda até que esse investidor consiga olhar com mais profundidade esse impacto, que é a transformação de pessoas”, finaliza.

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