Como fazer uma transição para uma economia mais sustentável?

Considere o caso de investimento em P&D numa tecnologia inovadora como, por exemplo, eletrólise de hidrogênio para gerar energia

Por Andrea M. A. F. Minardi

Recentemente escrevi sobre a necessidade de uma visão de longo prazo para investimentos socioambientais. Retorno ao tema com exemplos que ilustrem como o processo de planejamento e de implementação de novas tecnologias com base em variáveis financeiras e de impacto socioambiental pode acelerar a adoção de novas tecnologias.

Considere o caso de investimento em P&D numa tecnologia inovadora como, por exemplo, eletrólise de hidrogênio para gerar energia. Esta iniciativa tem grande risco de resultar em um projeto que não seja viável economicamente em um primeiro momento e, certamente, se considerado isoladamente, possui Valor Presente Líquido (VPL) negativo. Mas as pesquisas iniciais geram aprendizado e aumentam a probabilidade de que as iniciativas subsequentes sejam bem-sucedidas, resultando em tecnologias economicamente viáveis. Isso, por sua vez, cria a opção de investimento em instalações movidas a hidrogênio capturado das emissões do próprio processo industrial, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa e a dependência de outras fontes de energia. Tudo isso sem considerar o impacto positivo no fluxo de caixa da diminuição do risco de retaliação dos consumidores em um cenário em que a consciência socioambiental se torne universal. A opção de investimento em novas instalações depende, por sua vez, do ritmo da evolução da pesquisa nas novas tecnologias, de políticas públicas mais comprometidas com sustentabilidade e do aumento do número de consumidores conscientes.

Já o timing do investimento nas estruturas mais sustentáveis e da desmobilização das instalações pode ser compreendido num mindset de opções reais. Uma migração, por exemplo, da frota de automóveis, ônibus e caminhões de motor a diesel ou gasolina para elétrico requer a redução de custos e maior eficiência da tecnologia de baterias, o estabelecimento de uma rede elétrica com energia renovável e soluções competitivas para endereçar a intermitência das fontes renováveis. Existe uma transição necessária que demandará capacidade de atrair investimentos. Somente a colaboração entre governos, universidades, ONGs e iniciativa privada viabilizará os sinais necessários para atrair esses recursos. Além disso, é preciso criar alternativas para os trabalhadores relacionados à indústria de combustível fóssil – por exemplo, no Brasil, apenas nos postos de abastecimento de combustível, estimam-se 500 mil frentistas. Se a migração for feita de forma gradual, é possível encontrar soluções. A escalabilidade de tecnologias e desenvolvimento de infraestrutura são intensivas em capital, demandando formas de financiamento blended que envolvem capital privado, de fundações e governo. Dada a importância do aporte financeiro para essas iniciativas, tratarei do assunto em um próximo artigo. Não perca!

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