Cleantechs por uma economia neutra de resíduo plástico

Qual a porcentagem das embalagens ou do plástico single-use descartada anualmente? Quanto isso representa em emissões de CO2? Como compensar esse efeito?

Angélica Rotondaro

O conceito de cadeias produtivas carbono neutras já está bem estabelecido. Basicamente, uma indústria faz a análise das emissões de GEE (gases de efeito estufa) ao longo da cadeia de valor de cada produto. Com base nas emissões calculadas, busca melhorias de processo e de arquitetura de produto. No caso de compensações necessárias, compram-se créditos de carbono. Dentro dessa mesma lógica, trazemos aqui o conceito de uma economia neutra de resíduo plástico.

Nela, as indústrias que fazem uso de embalagens plásticas avaliam o impacto do resíduo plástico ao longo da sua cadeia. Esse impacto é tangível nos aterros, rios, manguezais, áreas costeiras e oceano. Procura-se responder às seguintes perguntas. Qual a porcentagem das embalagens ou do plástico single-use descartada anualmente? Quanto isso representa em volume e em emissões de CO2? Como compensar esse efeito? A resposta passa por corporate venturing e capital catalítico para o desenvolvimento e escalabilidade de cleantechs – empresas e tecnologias que buscam melhorias na sustentabilidade ambiental ou de tecnologia limpa.

De uma perspectiva econômica, estima-se que, por ano, aproximadamente USD 120 bilhões são “desperdiçados” com embalagens single-use. Além disso, o mercado de gestão de resíduo plástico deve movimentar USD 39 bilhões até o final de 2026. Pelo lado do passivo e risco ESG, o impacto do resíduo plástico para a Economia Azul soma USD 13 bilhões entre efeitos na indústria pesqueira, queda de receita do turismo e custo de limpeza de praias, além do potencial risco reputacional das empresas. Essa liability econômica e reputacional futura, calculada financeiramente, seria trazida a um valor presente e convertida em investimento em inovação via aporte de capital semente às cleantechs.

Em sua maioria, essas cleantechs surgem nos centros de pesquisa e de tecnologia, como é o caso do Sinctronics, que transforma lixo eletrônico em matéria prima para novos equipamentos, do Laboratório de Polímeros Sustentáveis do SENAI e da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia).

Pela natureza nascente, essas cleantechs requerem capital semente. A fonte de financiamento passa por um modelo de blended capital, que inclui capital de pesquisa e desenvolvimento das próprias empresas, incentivos fiscais, investimento social privado e aporte de bancos de desenvolvimento. Internacionalmente, clusters de empresas estão compondo fundos conjuntos para investir em soluções por uma economia neutra em resíduo plástico, como é o caso do Closed Loop Partners.

É necessário um deep dive por modelos de base tecnológica transformativa, escalável e rentável na gestão de resíduo plástico. Para se ter ideia, entre 2018 e 2020, o investimento privado nas cleantechs mais que dobrou fora do Brasil. Com modelos financeiros e de risco comprovados por experiência externas, que outra motivação falta para as empresas brasileiras se engajarem em prover capital semente por uma economia livre de resíduo plástico?


*Angélica Rotondaro é consultora da Alimi Impact Ventures, diretora executiva do Instituto Climate Smart e membro do conselho Insper Metricis.

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