Cidade saudável: o papel da gestão da cadeia de suprimentos

Como o ambiente em que as pessoas vivem pode facilitar ou dificultar o acesso a uma alimentação mais saudável e de melhor qualidade nutricional?

Um ambiente alimentar refere-se ao contexto físico, econômico, político e sociocultural nos quais consumidores estão envolvidos, influenciando decisões de compra, preparação e consumo de alimentos, segundo HLPE. O ambiente em que as pessoas vivem pode, desta forma, facilitar ou dificultar o acesso a uma alimentação mais saudável e de melhor qualidade nutricional.

Grandes centros urbanos apresentam ambientes alimentares muito heterogêneos. Na cidade de São Paulo, enquanto alguns bairros possuem excesso, outros, em especial as periferias, carecem de estabelecimentos que vendem alimentos. No entanto, uma grande quantidade de estabelecimentos alimentares não garante um ambiente alimentar adequado. Levantamento feito pelo site O Joio e o Trigo mostra uma enorme heterogeneidade de disponibilidade alimentar na cidade. Além disto, em grande parte dos bairros paulistanos, há um excesso de estabelecimentos vendendo prioritariamente produtos ultraprocessados. O resultado pode ser associado a uma população que convive com doenças relacionadas à má nutrição, como a obesidade e a desnutrição.

O impacto do ambiente sobre os hábitos alimentares de uma população exige políticas públicas capazes de aproximar e apoiar os diferentes atores da cadeia de alimentos frescos (in natura). Segundo a OMS, ações que garantem acesso universal a alimentos saudáveis devem ser tratadas como prioritárias.

O desenho adequado e a gestão competente das cadeias de suprimentos de alimentos frescos podem ajudar a promover um ambiente alimentar mais seguro e sustentável. Neste sentido, as cadeias curtas (ou circuitos curtos) de suprimentos, que se caracterizam pela menor distância geográfica entre produtores e consumidores e pelo reduzido número de intermediários, podem ser parte importante da solução.

As cadeias curtas de alimentos frescos apresentam uma série de vantagens. Elas tendem a ser mais sustentáveis e baratas. A redução no número de intermediários diminui a necessidade de estocagem e manipulação dos produtos e, como consequência, evita o desperdício. Além disso, a proximidade geográfica reduz da emissão de gases poluentes dos veículos de carga. E ainda fortalece a economia regional, privilegiando atores locais com práticas comerciais justas e reforçando as relações sociais entre produtores e consumidores.

Um exemplo recente disto ocorreu durante a pandemia, em que agricultores urbanos e periurbanos conseguiram comercializar a sua produção através de poucos intermediários ou diretamente com os consumidores finais, com destaque para os produtores de orgânicos.

O desenvolvimento de cadeias curtas não é tarefa fácil. Requer a capacitação dos produtores agrícolas em técnicas de planejamento da produção agrícola, gestão financeira, logística e comercialização. Neste sentido, as políticas públicas deveriam apoiar e privilegiar estas cadeias, em especial para atender as áreas de baixa renda das grandes cidades, proporcionando um ambiente alimentar mais seguro, sustentável e menos vulnerável.

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