Vitória de Biden abre caminhos para os melhores negócios na Amazônia

Mesmo sem maioria no Congresso, Biden pode estimular políticas que privilegiam produtos sustentáveis e retomar os programas de apoio a cadeias produtivas

Joe Biden e Kamala Harris foram eleitos para a presidência dos Estados Unidos e essa é uma boa notícia para a Amazônia. Como? As expectativas são de que esse seja bastante positivo para o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis que já existem na floresta, dando a elas mais escala e força. São negócios que produzem respeitando os recursos naturais e as pessoas. Eles já existem e envolvem desde multinacionais até pequenos empreendedores produtores e extrativistas.

A região tem comunidades inteiras que sobrevivem vendendo mel, castanhas, cacau, açaí, guaraná, madeira manejada, peixes e turismo. O que essas pessoas precisam é de espaço no mercado, proteção legal e reconhecimento por suas boas práticas. O resultado da eleição americana pode representar tudo isso.

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Biden já sinalizou em discursos, mesmo antes de ser eleito, que se preocupa com a preservação da floresta brasileira. Por isso, a tendência é que os Estados Unidos apoiem cada vez mais o desenvolvimento de cadeias produtivas que mantenham a floresta em pé. Essa mudança no cenário político pode ser o que o Brasil precisava para que nossa enorme biodiversidade volte a ter apoio para gerar riqueza aqui, como vimos em períodos passados.

O resultado da eleição americana abre caminhos de três formas. A primeira é o que já está acontecendo: uma maior pressão internacional para que o Brasil respeite as suas próprias leis e reforce a fiscalização para evitar a destruição da floresta e os assassinatos de quem vive dela. Além disso, é mais provável que os americanos estejam atentos e deem mais apoio financeiro para programas de regulamentação e apoio legal para fundos de fiscalização da floresta, como o Fundo Amazônia, viabilizando projetos que ajudem a melhorar a nossa governança sobre o nosso próprio território.

A segunda forma é dando mais espaço para esses produtos e serviços sustentáveis, com facilidades comerciais, por exemplo. Nos anos 1980, a política de compra de governos locais e federal passaram a exigir papel reciclado nos editais. Isso foi fundamental para gerar demanda e dar escala à indústria de reciclagem que hoje está madura. Esse tipo de uso das compras estatais para estimular boas práticas – sem grande impacto no custo – já foi usada com sucesso várias outras vezes.

A terceira forma como o novo governo americano pode incentivar os bons negócios na Amazônia é na forma de incentivos diretos. Podemos ver a retomada de programas como da US AID, agência de ajuda internacional dos EUA, para apoiar o desenvolvimento de produtores locais. Isso pode ocorrer  na forma de programas de crédito ou apoio logístico, para que a população local, que conhece e respeita a floresta, participe dessa cadeia produtiva.

Será que esse resultado, como diz o líder indígena Ailton Krenak, adia o fim do mundo? Algumas respostas estão no podcast Infraestrutura Sustentável, que pode ser acessado no site do GT Infra e também no Spotify.

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