Tecnologias universitárias brasileiras podem ajudar o clima

Uma programa da associação mineira Wylinka e selecionou as 11 invenções acadêmicas com maior potencial para o mercado

As consequências do Efeito Estufa são devastadoras e já estão acontecendo: derretimento das calotas polares, elevação do nível do mar, alteração de correntes marítimas e atmosféricas e ampliação da desertificação. Os cientistas já alertam há anos para o fato de que não podemos continuar elevando o volume de CO2 na atmosfera, com desmatamento e queima de combustíveis fósseis, por exemplo. O motivo é que esses e outros gases aumentam o índice de radiação e calor que é retido na Terra e somos nós que vamos pagar essa conta. Mas existem muitas forma de reduzir as emissões. O Brasil é um celeiro de ideias. Muitas delas estão nos centros de pesquisa das universidades brasileiras. Um novo programa selecionou as 11 inovações tecnológicas com maior potencial para chegar ao mercado. O programa é coordenado pela Wylinka, uma associação baseada em Belo Horizonte, criada para acelerar inovação científica e tecnológica

É o caso de um ônibus elétrico criado no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia(Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Liderado pelo pesquisador e professor Paulo Emílio Valadão de Miranda, e resultado de mais de 36 anos de pesquisa no Laboratório de Hidrogênio da universidade, a tecnologia consiste em um ônibus híbrido.

O ônibus tem um motor elétrico e um gerador de eletricidade movido a hidrogênio. Você pode carregar na tomada para carregar as baterias. Ou pode carregar o tanque de hidrogênio, que gera eletricidade para o motor. E ele aproveita a frenagem e as descidas para recarregar as baterias também. Um estudo, divulgado pela equipe de pesquisa, mostra que o setor de transportes contribui com cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa na região metropolitana do Rio de Janeiro. O veículo desenvolvido contribui para diminuir essas emissões, diminuindo o impacto do meio de transporte na nossa saúde. 

A tecnologia já gerou quatro pilotos – produtos em escala real usados para validar a eficácia da tecnologia. Um deles já foi testado na Vila dos Atletas durante as Olimpíadas de 2016, realizadas no Rio de Janeiro. Para que a proposta avance, agora é necessário o estabelecimento de um arranjo produtivo para a fabricação de uma nova versão do protótipo, que permita o teste de uma pequena frota dos ônibus em ambiente real de utilização. Para isto, os pesquisadores estão em busca de parcerias e investidores dispostos a apostar no projeto. Eles são fundamentais para satisfazer requerimentos regulatórios e padronizados de fabricação, uso, manutenção, pós-venda e reciclagem, assim como para a fabricação e testagem em ambiente real de frotas.

Bioetanol produzido a partir de leite

Outra tecnologia que pode encurtar o caminho até a mitigação das mudanças climáticas é liderada pela professora e pesquisadora Mônica Lady Fiorese, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. A ideia consiste em utilizar permeado (ingrediente lácteo com alto teor de lactose) como matéria-prima para produzir bioetanol. Isso resolve dois problemas: de resíduos poluentes e de energia. 

É fácil entender. A indústria de concentrados, isolados, e hidrolisados proteicos possui a geração de um resíduo chamado permeado de soro de leite desproteinizado. Esse resíduo é 100% líquido e possui uma alta carga orgânica de poluentes. O custo para se tratar o permeado acaba por ser extremamente oneroso e de difícil tratamento. Ao enxergar a possibilidade de usar a matéria-prima para razões mais nobres do que o simples descarte, o grupo de pesquisa aceitou o desafio de produzir diferentes produtos utilizando o permeado na forma líquida, dispensando o processo de secagem, que é mais comumente utilizado. Foi nesse contexto que os pesquisadores desenvolveram uma rota de produção de bioetanol, combustível renovável.O projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria de mais de 8 anos com uma empresa da região, produtora de concentrados proteicos. Hoje, a equipe de pesquisa consegue produzir cerca de 80g/L de bioetanol a partir de uma concentração de 200g de lactose por litro de permeado. Com isto, conseguem transformar um resíduo com alta carga poluente em uma nova fonte de energia.

DeepTech Clima

Mapear os desafios tecnológicos da economia de baixo carbono no Brasil e buscar soluções nas universidades brasileiras é a missão do projeto DeepTech Clima, liderado pela Wylinka em parceria com o Instituto Clima e Sociedade. A iniciativa também fez um diagnóstico dos principais desafios para o desenvolvimento dessas tecnologias e quais as principais recomendações para que elas gerem valor para a sociedade. Com duração de 6 meses, o projeto focou no setor energético brasileiro (setor que apresenta grande potencial de ser impactado por disrupções tecnológicas) e mapeou ao todo 94 tecnologias. Destas, foram selecionadas 11 com maior potencial de resolver os desafios do setor no Brasil. Segundo Ana Carolina Calçado, diretora presidente da Wylinka, o DeepTech Clima foi pensado para conectar o potencial de desenvolvimento de soluções da ciência, tecnologia e inovação brasileiras aos desafios socioambientais e econômicos atuais. “Entre esses desafios, buscar a diminuição da emissão de gases que causam prejuízo ao clima é um dos mais urgentes”, explica.

Todas as 11 tecnologias mapeadas serão apresentadas no dia 30 de setembro, às 18h, no webinário “Novas fontes de energia: a ciência brasileira como propulsora do desenvolvimento”. Na oportunidade, a Wylinka também irá lançar um Ebook com os resultados do DeepTech Clima. Inscrições para o webinário, que contará com especialistas da FINEP, da Agência de Inovação da USP, do Instituto Clima e Sociedade e da Wylinka, podem ser feitas pelo link https://forms.gle/dUSpRRYMpZm9XgW26.

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