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O dinheiro que dá em árvore

Precisamos dar visibilidade para quem está gerando renda e emprego com produtos sustentáveis da floresta agora

Alexandre Mansur*

As florestas tropicais, ricas em biodiversidade, têm tudo para gerar riqueza para quem vive dela. Infelizmente, se o assunto é floresta tropical, muitos de nós já enxergamos, quase que automaticamente, imagens de desmatamento e de todo o modelo de desenvolvimento baseado na destruição, que é muito bem divulgado. No entanto, já está bem claro que esse modelo só dá certo no curto prazo, pois deixa um rastro de destruição e pobreza, e ameaça o clima da Terra. A preservação ambiental é condição fundamental para o desenvolvimento econômico na avaliação de 86% dos brasileiros que vivem na Amazônia Legal, segundo dados da pesquisa feita recentemente pelo Mundo Que Queremos. O trabalho mostrou, no entanto, que embora a população da floresta não veja a destruição com bons olhos, a maioria também não enxerga outras alternativas. É por isso que precisamos dar exemplos de iniciativas que valorizam a floresta em pé, deixando claro o quanto as cadeias produtivas da floresta existem, dão dinheiro e estão crescendo.

O documentário Forest Partners faz isso, num filme que explora soluções pra mudança climática baseadas na natureza, socialmente inclusivas e economicamente sustentáveis. A produção mostra como a ação colaborativa em países da América Latina, Ásia e África possibilita o fomento a cadeias de valor que conservam a biodiversidade e restaura ecossistemas nativos enquanto gera renda e prosperidade. E faz isso com muitas imagens, que é para ajudar a substituir as velhas cenas de predação grudadas na nossa mente.

O trabalho foi financiado pelo Partnerships for Forests (P4F), programa global do governo britânico para acelerar negócios e promover iniciativas que tenham o potencial de proteger ou restaurar florestas, e seu pré-lançamento acaba de acontecer em Glasgow. O lançamento oficial está previsto para 2022. O filme foi assistido no Brasil em primeira mão durante o durante o primeiro ClimaX SP, o evento paralelo da COP em São Paulo, realizado pelo Instituto O Mundo Que Queremos esta semana em São Paulo. O Brasil tem um grupo de pessoas muito engajadas no tema do clima, que precisam se encontrar para trocar ideias e inventar soluções. O filme da P4F é um excelente exemplo de experiências que precisam ser vistas e compartilhadas.

A produção mostra histórias como a da Coopavam, uma cooperativa que processa e vende castanhas-do-brasil produzidas por comunidades indígenas em Mato Grosso e Rondônia. A castanha é um superalimento amazônico cuja árvore é um símbolo emblemático da preservação da floresta. Eles são apoiados pela P4F para desenvolver sua estratégia de marketing e vendas e trabalham em estreita colaboração com as comunidades indígenas para proteger florestas e melhorar os meios de subsistência na Amazônia. Outro caso de muito sucesso é o da Ecoflora, uma empresa da Colômbia, que descobriu e patenteou um corante natural azul extraído do jagua, um fruto da região que, até então, não tinha valor comercial. O mais interessante é que a cor azul era justamente a que faltava na indústria alimentícia, o que já abriu um mercado imenso para
o produto patenteado. A P4F ajudou a empresa a aumentar sua capacidade de fornecimento, plantando árvores da espécie em áreas degradadas.

“Precisamos mostrar como conservar e ganhar dinheiro ao mesmo tempo”, afirma Marcio Sztutman, diretor do programa América Latina na Partnerships for Forest. Para ele, o projeto de filme reforça um conceito fundamental da P4F, a teoria da mudança de que existem muitas oportunidades para geração de renda por meio de impacto positivo no uso da terra. O programa do governo britânico busca demonstrar a viabilidade de fazer bons negócios com impacto positivo nas diferentes paisagens rurais, tendo como ator principal o setor privado, como uma estratégia adicional às iniciativas que já existem, como o trabalho das ONGs, que é fundamental, mas não basta. “O setor privado carrega capital e conhecimentos específicos de mercado que devem ser colocados à disposição para esse objetivo comum de conservação florestal e inclusão social”, completa Marcio. Tornar isso público, por diferentes instrumentos, como o filme, faz parte da estratégia para aumentar a capacidade de replicação e ganho de escala desta abordagem. “A ideia é demonstrar a viabilidade de diferentes modelos de negócios, diminuindo a percepção de risco dos investidores”, explica.

O programa do governo britânico busca demonstrar a viabilidade de fazer bons negócios com impacto positivo nas diferentes paisagens rurais, tendo como ator principal o setor privado, como uma estratégia adicional às iniciativas que já existem, como o trabalho das ONGs, que é fundamental, mas não basta. “O setor privado carrega capital e conhecimentos específicos de mercado que devem ser colocados à disposição para esse objetivo comum de conservação florestal e inclusão social”, completa Marcio. Tornar isso público, por diferentes instrumentos, como o filme, faz parte da estratégia para aumentar a capacidade de replicação e ganho de escala desta abordagem. “A ideia é demonstrar a viabilidade de diferentes modelos de negócios, diminuindo a percepção de risco dos investidores”, explica.

Respeitando as especificidades de cada país ou continente, o grande desafio de mostrar como a economia da floresta existe, gera renda e pode ser ampliada, é similar em toda a faixa tropical do planeta. “Florestas tropicais pelo mundo têm desafios e oportunidades em comum. Existe uma história que acontece no cinturão das florestas no mundo que nos une enquanto países e comunidades”, afirma Juliana Tinoco, gerente de Conhecimento do P4F. Ela ressalta que muita coisa está acontecendo nesses locais em termos de desenvolvimento econômico e social e muitas dessas ações estão baseadas em perspectivas sustentáveis que deveriam servir de exemplo para todo o mundo. Mas essas soluções exigem cooperação de diversos atores e setores. “Esse trabalho é um chamado a uma ação comum e conjunta a partir de casos de sucesso que já vem acontecendo”.

O filme foi muito bem-sucedido ao mostrar que não existe produção qualquer que seja sem a manutenção das florestas, mas além disso, de um ambiente equilibrado. Para o diretor, o cineasta Fred Rahal Mauro, a produção consegue deixar isso claro. Ele já trabalha há alguns anos na área socioambiental e destaca que tão importante quanto as denúncias, é mostrar o que já tem sido feito e que muita gente já produz priorizando, além dos ganhos financeiros, ambientes preservados. “Ainda podemos melhorar, e muito, mas é fundamental mostrar que existem projetos muito bem-sucedidos e que podem ser replicados”. Um dos diferenciais da produção é que quem fala não são ambientalistas, mas grandes empresários, investidores e pecuaristas, lado a lado com representantes de populações indígenas e tradicionais. “Não é um contra o outro, o objetivo é comum. Isso é o futuro”.

*com Angélica Queiroz

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