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ANÁLISE: qual retrato o eleitor vai querer nas eleições de 2022?

Seja qual for o rosto do próximo presidente, o retrato do Brasil que vai às urnas em outubro deste ano carece de emprego, renda e estabilidade

“Nós queremos Getúlio” era um slogan de um movimento histórico chamado “Queremismo”. Essa mobilização defendia a permanência de Getúlio Vargas na presidência da República em 1945. O lendário político acabou retornando ao poder “nos braços do povo” ao ser eleito, pelo voto direto, presidente em 1950. Em 2022, a grande pergunta será: o que vai querer o eleitorado brasileiro?

Será que vai querer mais 4 anos de Jair Bolsonaro? Não é simples. O atual chefe do executivo brasileiro entra o ano eleitoral com a menor aprovação (aproximadamente 25% segundo a última pesquisa nacional EXAME/IDEIA) de um presidente buscando reeleição desde a redemocratização de 1984 (na comparação com FHC 1998, Lula 2006 e Dilma 2014).

Para piorar, o mesmo levantamento EXAME/IDEIA mostra uma avaliação negativa (ruim/péssimo) acima dos 50% dos entrevistados. Um alto índice de rejeição ao trabalho do atual governo federal. Nenhum presidente eleito em primeiro mandato (pós ditadura militar) alcançou patamares de popularidade tão negativos.

Por outro lado, todos o ex-presidentes, em ano de reeleição, melhoraram seus níveis de popularidade e tiveram êxito nas urnas. Para Bolsonaro será preciso uma virada histórica de aprovação popular. E a janela para tal recuperação passa necessariamente pela melhora da economia. Será possível?

Ou será que o eleitor vai preferir a volta de Lula e do PT? O ex-presidente lidera todos os cenários de intenção de voto. Por esse aspecto, poderia ser apontado como franco favorito. Todavia, Lula ainda sofre com a alta rejeição do eleitorado ao PT e a sua candidatura.

Atualmente, pelo menos 4 em cada 10 brasileiros rejeitam fortemente a ideia de um retorno petista ao Alvorada. Não custa lembrar que o PT venceu somente 1 pleito presidencial como oposição (em 2002). Porém, era um contexto bastante diferente. No ano do pentacampeonato mundial de futebol da seleção brasileira, os petistas se apresentavam como o partido “defensor de ética” e “contra a corrupção instalada” no governo Fernando Henrique.

A fama petista mudou nos últimos 20 anos. Se por um lado se consolidou como o partido mais próximo dos problemas e anseios do Brasil popular, por outro se distanciou da classe média em função dos seguidos escândalos de corrupção e pela gestão econômica ruim da ex-presidente Dilma Rousseff. Será viável o Brasil dar nova chance ao PT?

Ou teremos um nome da “terceira via” (qualificação adotada em 2021 pela imprensa tradicional para qualificar potenciais candidatos(as) que não sejam nem Lula e nem Bolsonaro)? Seguramente, há demanda da opinião pública para tal.

A rejeição ao PT somada aos descontentamentos com a gestão Bolsonaro produziram um oceano de eleitores (estimamos aproximadamente 50% dos brasileiros) que estão carentes por uma alternativa. Esse grupo, porém, tem perfis bastante heterogêneos, demandas difusas e preferencias conflitantes. O caminho possível seria uma candidatura única para representar esse campo. Ter inúmeros candidatos(as) disputando esse espaço dispersa o imaginário da opinião pública.

Não custa lembrar que o adversário ideal do PT é o presidente Bolsonaro. Uma candidatura de “terceira via”, que eventualmente venha a enfrentar o ex-presidente Lula no segundo turno, trará muito mais dificuldades ao Partido dos Trabalhadores.

As últimas eleições presidenciais mostraram uma aglutinação dos votantes em candidatos mais bem posicionados para derrotar o PT. Isso explica as arrancadas de Aécio Neves e Jair Bolsonaro na reta final do primeiro turno (tanto em 2014 quanto em 2018). Será que a terceira via irá engatar a primeira marcha rumo ao Planalto em 2022?

Em 1950, a campanha eleitoral de Getúlio Vargas pedia para os eleitores “botarem o retrato do velho outra vez”. Em 2022, a escolha será entre: manter o retrato atual, botar o retrato do Lula outra vez ou aparecer com um novo retrato.

Seja qual for a foto na parede, o retrato do Brasil que vai às urnas carece de emprego, renda e estabilidade. Não será a eleição de mitos, mártires ou super-heróis. Esses ficaram num passado a ser superado nas cabeças e corações dos eleitores. Não teremos um vitorioso nos braços do povo.

O vencedor vai herdar um país rachado em diversas dimensões (dificilmente terá mais de 35% dos votos do total de brasileiros e brasileiras aptos a votar). Será preciso além de pregar a foto na parede, pregar a paz e trabalhar duro, porque o Brasil quer muito e com urgência.

 

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