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Nova Exame

A batalha pelos aflitos: a luta pela classe média nas eleições 2022

Pesquisas Exame/IDEIA mostram que a classe média ainda tem Lula na marca penal, mas Bolsonaro também não conta mais com o sub-grupo que votou nele em 2018

Por Maurício Moura

Há um episódio no futebol brasileiro contemporâneo que beira a dramaturgia. Ocorreu em 26 de novembro de 2005 no Estádio Elácio de Barros Carvalho, no bairro dos Aflitos em Recife. Esse dia do esporte bretão ficou conhecido como a “Batalha dos Aflitos” pelos torcedores do Gremio de Porto Alegre. O time gaúcho jogava contra o Naútico e o vencedor basicamente seria promovido para a Série A do Campeonato Brasileiro do ano seguinte. O perdedor iria permanecer na segunda divisão (a Série B). Um pênalti no segundo tempo levou a uma confusão generalizada que paralisou o jogo por 27 minutos, com quatro jogadores gremistas expulsos e ingresso em campo da polícia e de dirigentes. Após a cúpula gaúcha desistir de tirar a equipe de campo e aceitar a cobrança do pênalti, o goleiro gremista defendeu a penalidade, levando a um contra-ataque em que o clube do Rio Grande do Sul marcou um gol, dando a vitória e a vaga na primeira divisão. Em 2022, baseado nos dados presentes até o momento teremos dois campos: o Lulismo estabelecido e a batalha pelos “aflitos” da classe média. Esses dois campos estarão no segundo turno presidencial.

A última pesquisa nacional telefônica Exame/IDEIA, que ouviu aproximadamente 1.200 eleitores na semana de 17 de maio, mostrou a solidez da candidatura do ex-presidente. O petista lidera em todas as simulações de primeiro e segundo turnos contra todas as mais diversas combinações de potenciais candidaturas. Mais do que isso, Lula mostra a sua musculatura no campo popular. Ele lidera, com folga, os segmentos de baixa renda e escolaridade e é o “rei da bola no Nordeste”. Será muito improvável a reversão desse quadro até a eleição. Somente um auxílio emergencial de renda que vá muito além de julho de 2021, com alto volume e enorme extensão de beneficiados poderia sacudir esse cenário. Por outro lado, dificilmente abalaria as estruturas do Lulismo nas mentes populares.

E a classe média? As recorrentes pesquisas Exame/IDEIA tem mostrado que a classe média brasileira ainda tem Lula e o PT na marca penal. O mesmo levantamento apontou que aproximadamente 50% dos brasileiros acreditam que o corintiano Lula não merece voltar. Em regiões como Sul e Centro-Oeste esse número atinge quase 60%. Todavia, o palmeirense e presidente Jair Messias Bolsonaro também não “bate um bolão” nesse quesito. No segmento A/B de renda, ele atinge a péssima marca de 57% que são contra sua re-eleição. Esse é o mesmo sub-grupo que votou no capitão para tirar o PT e agora desaprova o trabalho do atual governo federal. São os mesmos que estão decepcionados com o ritmo de vacinação e tem sérias preocupações com o presente e futuro da economia brasileira.

Nesse contexto, fica a natural indagação: então, a potencial “terceira via” poderia ocupar facilmente esse espaço da classe média aflita e anti-Lula/anti-Bolsonaro? Sim e não. A boa notícia da última pesquisa Exame/IDEIA é que há um oceano de eleitores que ainda não tem mentes e corações na eleição presidencial. A pesquisa mostrou que quase a metade dos entrevistados não sabem apontar um presidenciável preferido quando perguntados espontaneamente (sem se apresentar opções de potenciais candidatos). Esse número dá a real dimensão do campo de disputa aberta. Porém, tanto Lula como Bolsonaro partem dois andares acima e já tem dois dígitos de voto espontâneo. O voto espontâneo costuma ser a baliza de solidez de uma candidatura. E ao testarmos diversos nomes da potencial “terceira via”, (Ciro Gomes, Sérgio Moro, Joao Dória, Eduardo Leite, Tasso Jereissati, Luciano Huck, Luiz Henrique Mandetta, Joao Amoedo e Danilo Gentilli), todos ainda se mostram distantes da primeira divisão da disputa pelo Palácio do Planalto. Alguns argumentam que é porque a partida real ainda não começou. Talvez sim. Outros dizem que esses só serão plenamente conhecidos e reconhecidos ao se apresentarem no estádio da opinião pública. E isso ainda não aconteceu.

De certo são três pontos: a) o grupo de eleitores que são anti-Lula e anti-Bolsonaro é heterogêneo mas está unido pela aflição da busca por um espaço para não ficar de escanteio do Bolsolulismo e b) para ter uma “terceira via” competitiva é preciso esvaziar o campo de jogo. Assim como na “na batalha do Aflitos” necessitaria ocorrer a “exclusão” de pelo menos uns quatro potenciais candidatos. Assim o(a) torcedor(a) (ou eleitor(a)) ganharia mais foco e atenção. Por último, não adianta esperar um contra-ataque nos últimos minutos de jogo para reverter o placar. A aflição nessa eleição de 2022 deve gerar somente dispersão. E quem ganha com isso são os que já estão no jogo.

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