2021: o ano da dose certa?

Se o vírus foi o protagonista mundial desse ano que se encerra, não é difícil prever que a vacina (e a geopolítica da mesma) será a estrela de 2021

“2001: uma odisseia no espaço”, de 1968, é um filme de ficção científica produzido e dirigido por Stanley Kubrick. O filme lida com os elementos temáticos da evolução humana, existencialismo, tecnologia, inteligência artificial e vida extraterrestre. Temas presentes em discussões contemporâneas (exceto o fato de não prever que em 2020 pessoas ainda não acreditariam que a terra é redonda). Também faltou lidar com um vírus que paralisou a humanidade em 2020. E se o vírus foi o protagonista mundial desse ano que se encerra não é difícil prever que a vacina (e a geopolítica da mesma) será a estrela de 2021.

Nesse contexto, muitas eleições serão decididas em função disso no ano que se inicia. Se existe um tema que une os “negacionistas” pró abrir a economia a qualquer custo e as ciências médicas é a distribuição eficiente da vacina. Quanto mais rápido distribuir a vacina, maiores as chances de uma retomada econômica sustentável. Independente do local. E os eleitores que vão as urnas em 2021 devem cobrar essa conta.

Teremos inúmeros processos eleitorais decisivos no âmbito global que podem mexer com a geopolítica, a economia e com os mercados. Podemos citar Uganda, Somália, Marrocos, Etiópia, Líbia e Congo com disputas nacionais na África. Nas Américas teremos eleições gerais de enorme impacto nos Estados Unidos (as vagas do senado da Geórgia), Equador, Chile, Peru, Honduras, Haiti, Nicarágua, no México (legislativas) e Argentina (legislativas e províncias). Vale também mencionar as inúmeras disputas na Europa com eleições presidenciais/parlamentares em Portugal, Holanda, Bélgica, Noruega, Islandia, Bulgária e Alemanha. E também pleitos federais em estados de grande instabilidade como Irã, Síria e Israel. Além do Japão com eleições gerais em outubro.

Se as disputas estão espalhadas pelo globo e pelo calendário de 2021, os argumentos, ideias, propostas e debates nunca terão sido tão convergentes. Será o ano de apresentar planos concretos para resolver dois temas: a pandemia e a economia. As campanhas seguirão um mantra global (sejam de oposição ou situação, seja em Uganda ou no Japão): o que foi feito, o que não foi feito, o que precisa ser feito para re-engajar a atividade econômica, reduzir o número de casos e mortes e, a partir de agora, como fazer para a vacina chegar ao maior número de pessoas. O restante será coadjuvante. Nunca poderíamos imaginar que foi preciso uma pandemia para “globalizar” o debate mundial em todos os níveis locais. O coronavírus e seus temas adjacentes mostraram-se potentes na globalização.

Portanto, 2021 nos trará uma carga elevada de injeção de temas político-eleitorais. A depender de vencedores e perdedores as peças do xadrez do desenvolvimento econômico e dos ganhos/perdas de mercado financeiro se movimentarão com mais ou menos frequência. Será preciso estar atento para as doses certas da economia, da política e da vacina. Será uma odisseia de grande instabilidade e enormes oportunidades.

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