Desconstruindo o significado de trabalho

O contexto atual que vivemos nos convida a repensar e desconstruir o significado do trabalho alguns conceitos em que estamos imersos.

O contexto atual que vivemos nos convida a repensar e desconstruir o significado do trabalho alguns conceitos em que estamos imersos.

Neste blog, ao longo dos anos, trouxemos diversas reflexões sobre o modelo atual de trabalho e o que ele representa. E, de fato, essa reflexão faz parte de nosso dia a dia como consultoria de empresas que estão se reinventando.
Obs: Se você se interessa por esse tema, temos neste blog muitos artigos relacionados a isso: Vale a pena conferir.

 

Sobre o desconstruir o significado do trabalho

A própria palavra usada no título, “desconstruir”, vem desse modelo mecanicista que absorvemos com maestria desde a Revolução Industrial.

Desconstruir é o oposto de construir, que

Reunir as diferentes partes de um edifício, de uma máquina, de um aparelho; dar forma.

A linguagem no ambiente de trabalho está repleta de palavras como: Engrenar, construir times, consertar e etc.

É incrível, mas essas palavras fazem sentido total para nós, mesmo falando de organismos vivos e orgânicos que somos. Sem contar os jargões, que foram absorvidos como regras pré-estabelecidas. Como esse:

 

“Deus ajuda quem cedo madruga” e “Tempo é dinheiro”

Nos parecem óbvias essas duas expressões, mas você já parou para se questionar sobre o significado delas? Façamos as perguntas: Por que tempo é dinheiro e por que madrugar é um valor importante?

Esses conceitos refletem os pensamentos do modelo de trabalho mecanicista, pós Revolução Industrial e mais presente em economias menos desenvolvidas.

Eles fazem parte dos modelos mecânicos de trabalho: O tempo era diretamente proporcional ao volume de produção, ou seja, tem que gerar produtividade. O tempo tem que ser usado para produzir!

O trabalhador tem uma tarefa específica para ser realizada: Se em mais tempo ele trabalhar, mais vezes aquela atividade será realizada e mais receita gerada a partir daquela mão-de-obra.

Esse é um modelo de significado de trabalho que só faz sentido em alguns contextos.

Se você pensar em um contexto em que é preciso cada vez mais exercer criatividade e a inovação, essas expressões perdem o sentido.

 

 Agenda cheia de compromissos

A pandemia emergiu um valor da sociedade atual que há tempos foi absorvida como padrão.

É raro ouvir uma pessoa falar que tem tempo livre disponível. O modelo de trabalho valoriza quem está sempre ocupado, quem está sempre fazendo algo, não importa muito o que seja.

A pausa, o momento da reflexão e o silêncio são praticados pouquíssimas vezes, correndo o risco ainda de serem duramente criticadas pelos colegas.

No momento que fomos “parados pela pandemia”, surgiu uma sensação de angústia muito grande no ar. O ato de estar em casa traz a sensação de não estar sendo útil e, portanto, dispensáveis.

Este é um valor que precisa ser questionado.

Do mesmo modo, a reflexão e a introspecção também são valores importantes para o amadurecimento e crescimento das pessoas e da sociedade como um todo.

 

 Antigamente era bom, no futuro será melhor

Existe um movimento de revoltados nas empresas que clamam por novos tempos. Alguns teóricos dividem essas pessoas entre Reacionárias e Revolucionárias.

As reacionárias dizem que o passado era bom e tudo que está no presente está errado porque as coisas deveriam funcionar como eram antes. Mas esse é um passado imaginário, distante, idealizado.

As revolucionárias dizem que o presente está errado e que o futuro deve ser diferente. Pensam que precisamos mudar tudo, que o futuro será maravilhoso. Mas está é uma afirmação que, também, assim como no caso dos reacionários, cria um futuro idealizado.

Definitivamente o único processo de mudança possível está no presente. É no presente que precisamos aprender a lidar com as necessidades de evolução.

Desta forma, olhar para o passado e olhar para o futuro não são um processo maduro para uma sociedade rever suas questões, seja ela uma sociedade, uma família, uma empresa ou cidade.

 

Os processos de mudança

“Evoluir é um processo de morte e renascimento, necessariamente nesta ordem!” Artur Tacla

Se há morte e renascimento, sempre nesta ordem, há um sofrimento que antecipa cada transformação, cada mudança.

Falar das dores e se permitir senti-las passa uma impressão de fraqueza, de despreparo.

Assumir um sofrimento ou uma dor é tabu, não só para os líderes, mas entre os colegas de trabalho. Mas esse movimento faz parte do processo cíclico da vida.

Antes mesmo da descoberta de uma nova fase cheia de possibilidades há um sofrimento e um luto por aquilo que morre, por aquilo que ficou para trás. “Eu tenho que abrir mão daquele EU que vou deixar de ser.”

Esse processo de luta e perda são inevitáveis, sem o qual não chega no momento do novo, do ser diferente, do fazer diferente, do renascimento.

 

Estar sempre no controle da vida.

Frases do tipo: “Precisamos controlar tudo e todos. Vamos fazer planilhas, monitorar, acompanhar e controlar todos os passos” são parte deste modelo atual de trabalho.

Falamos algumas vezes neste blog sobre o tema CONTROLE.

Por outro lado, sair do controle tem outro significado para nós: É aceitar um estado constante de evolução, curando, aceitando e lidando com medos, traumas, memórias, crenças. Assumindo que não temos o controle da vida.

Cada vez que eu consigo me movimentar do lugar que estou, há um processo de cura e descontrole. Cada tensão, cada angústia, cada dor que a vida me traz é um convite da vida. Há um processo de libertação e de crescimento e de abrir mão do que é possível controlar hoje.

Do mesmo modo, o que dificulta entender essa visão é que muitas vezes achamos que ao nos desenvolvermos como ser e nos libertarmos, é um processo que é sempre bom, o tempo todo, e não é verdade: Faz parte do processo aceitar os nós, aceitar as dificuldades e sofrer.

Logo, que ao desconstruir o significado de trabalho possamos evoluir para uma forma de viver mais autêntica e de acordo com nossa espécie de seres: orgânicos, vivos e em constante transformação.

 

Esse texto foi produzido a partir dos insights gerados do curso “O Futuro no Horizonte”, ministrado pelo sócio consultor Márcio Svartman.

Se você tiver interesse em aprofundar neste tema, mande um e-mail que novas turmas serão abertas em breve: marcio@corall.net

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